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Espetáculo antropofágico reúne Villa-Lobos e defesa do Parque do Bixiga

Rasga Coração, em reestreia, transforma Villa-Lobos em ação cênica e ocupa o Bixiga, celebrando o Parque do Rio Bixiga como território público

Espetáculo volta ao Teatro Oficina para temporada comemorativa dos 100 anos da estreia de 'Choros 10: Rasga o Coração', de Heitor Villa-Lobos
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  • A reestreia de Rasga Coração – Teatro Oficina usa a música de Villa-Lobos, especialmente Choros nº 10, como mapa para discutir Brasil arcaico versus contemporâneo no bairro do Bixiga.
  • A montagem trabalha a antropofagia como exercício de sobrevivência, com a música da banda sonora tornando-se alimento do coro.
  • Sob direção de Felipe Botelho e Roderick Himeros, o espetáculo transforma a música em força cênica: performance aberta pela regência que coordena músicos-atores na passarela.
  • A participação da artista indígena Lilly Baniwa introduz vocalizações tradicionais, criando diálogo entre a origem lobiana e a leitura contemporânea, resgatando agência política e espiritual da fonte.
  • O show celebra o Parque do Rio Bixiga, transformando o terreno em espaço público e agroflorestal após décadas de resistência; a montagem funciona como liturgia de fundação desse novo território urbano.

A reestreia de Rasga Coração – Teatro Oficina devolve ao cenário paulistano uma leitura performativa da partitura de Villa-Lobos. A montagem da Companhia Uzyna Uzona transforma música em ação corporal, em meio à passarela do Teatro Oficina, no Bixiga. A peça dialoga com o centenário de Choros nº 10 e com a identidade brasileira em disputa.

A encenação reúne voz, corpo e coro, conduzidos pela direção de Felipe Botelho e Roderick Himeros. O elenco é composto por cantores-atores vinculados ao Teatro Oficina, que passam a atuar como parte da partitura. A obra dialoga com o espaço arquitetônico de Lina Bo Bardi, que funciona como caixa de ressonância.

O espetáculo celebra a vitória simbólica do Parque do Rio Bixiga, resultado de décadas de resistência contra a especulação imobiliária. A montagem associa a ocupação teatral à defesa de um território público e ecológico, cobrindo o bairro de forma performática e ritual.

Concepção musical e corporal

A base é a ideia de antropofagia como prática de sobrevivência. Villa-Lobos surge como alimento do coro, que ganha corpo na passarela estreita do teatro. A música passa a gerar a ação cênica, em vez de apenas acompanhar o texto.

A narrativa musical percorre Choros 1, 3, Bachianas 5 e chega ao clímax de Choros 10, com desfecho em fragmentos de Floresta do Amazonas. O objetivo é criar uma urgência ecológica por meio do som, fortalecendo a presença do tema ambiental.

Elenco e impacto no espaço urbano

A participação da artista indígena Lilly Baniwa introduz vocalizações tradicionais na leitura lobiana. A intervenção tensiona a leitura histórica do compositor e reforça a ligação entre ancestralidade e expressão contemporânea.

Essa aproximação de ritmos e saberes propõe um diálogo entre o Brasil imaginado pelo modernismo e o Brasil vivido hoje pelos povos originários. A montagem situa o parque como símbolo de resistência e de transformação urbana.

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