- Em 1998, DJ Patife levou uma edição brasileira do movimento de drum’n’bass a Londres, iniciando uma ponte musical entre Brasil e Reino Unido.
- A “ginga” brasileira, com samples de bossa nova e instrumentação melodiosa, revitalizou o drum’n’bass no Reino Unido, abrindo portas para sons britânicos no mundo latino.
- Nos anos 2000, Patife, Marky e colegas ajudaram a consolidar uma cena paulista de drum’n’bass, com shows históricos e faixas que conquistaram espaço na BBC e até Top of the Pops.
- Hoje, artistas britânicos e brasileiros mantêm uma relação fértil, com lançamentos, colaborações e festivais que destacam a influência brasileira, além de eventos como o Gop Tun em São Paulo e o Speedtest no Rio de Janeiro.
- A cena mira novas gerações, com você Speedtest expandindo o intercâmbio entre baile funk e drum’n’bass, e DJs como Sherelle e Nia Archives incorporando elementos brasileiros em seus sets.
A cena drum’n’bass brasileira ganhou impulso ainda nos anos 1990, quando o ritmo ganhou um toque de samba. Patife, Marky e colegas ajudaram a conectar São Paulo a Londres, abrindo portas para intercâmbio entre Brasil e Reino Unido.
Tudo começou em 1998, quando Wagner Ribeiro de Souza (DJ Patife) levou uma fita demo a uma sala de reunião da Movement, em Londres. O objetivo era levar a festa para o Brasil; Bryan Gee viu o público e decidiu levar o projeto de volta ao país.
A partir daí, o intercâmbio se intensificou. O Brasil trouxe swing, samples de bossa e grooves, enquanto a cena britânica ofereceu bases mais codificadas. O resultado foi um som híbrido que começou a definir rituais de clube no país.
Patife morou em Londres entre 2000 e 2017 e depois se mudou para Portugal. Hoje ele atua como DJ e, neste fim de semana, participa do Boa Nova Festival em Leyton Park, Londres, como parte da programação cultural UK/Brazil Season.
Na cena paulistana, Patife e Marky ajudaram a popularizar faixas que misturavam rap, funk e BPM acelerados. Em 2000, Sambassim ganhou rádio BBC e, em 2002, LK, parceria com XRS e Stamina MC, entrou no Top 20 britânico.
Novos nomes e continuidade
A partir dos anos 2010, jovens produtores brasileiros já dialogam com o público britânico sem perder as raízes. Artistas como Spy, L-Side e Level 2 recebem influência brasileira sem perder a identidade sonoridade.
No Brasil, a Speedtest, conjunto liderado por Chediak e Diogo Queiroz, promove a mistura de baile funk com drum’n’bass. Relevantes nomes britânicos, como Sherelle, passaram a encontrar espaço em palcos paulistas e também no circuito londrino.
Sherelle lembra que a conexão entre Brasil e Reino Unido é natural: a música é um caminho de expressão para muitos jovens, especialmente de origem popular. A dupla colaboração entre continentes continua a crescer, abrindo espaço para novas histórias sonoras.
Patife ressaltou uma percepção de continuidade: a geração atual em formação, no Brasil e no UK, pode assumir o papel de guiar futuras mudanças na cena, mantendo a relação entre ritmos locais e linguagem eletrônica internacional.
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