- David Wise, compositor britânico de trilhas de jogos como Donkey Kong, vê a IA de forma ambivalente: pode ampliar oportunidades se não substituir a criatividade humana.
- Em entrevista à Folha, o músico afirma que o estilo e a personalidade das músicas ganham peso diante de sons cada vez mais genéricos.
- Wise esteve na Gamescom LatAm, recebido como lenda e apresentando-se com a banda GameBoys; a carreira começou em mil novecentos e oitenta e cinco.
- Ele relembra que, no Super Nintendo, havia apenas oito canais de áudio, e as músicas eram moldadas pela posição do jogador; hoje, há espaço para experiências independentes criativas.
- O compositor diz que a IA tem dois lados: pode gerar ideias, mas não deve substituir a criatividade humana; ainda há espaço para diferenciação com estilo próprio.
David Wise, compositor britânico de trilhas sonoras de games, afirma ver a inteligência artificial no setor de forma ambivalente: pode ampliar oportunidades se não substituir a criatividade humana. A declaração foi dada à imprensa durante a participação na Gamescom Latam.
Wise, de 60 anos, é conhecido por trabalhos em Donkey Kong e outros títulos de videogames. Em entrevista, ele comentou que a música para games precisa ganhar personalidade diante de sons cada vez mais genéricos, destacando a importância de criar com o coração.
Trajetória e início no mercado
Na conversa, Wise relembra que entrou no mundo dos games quase por acaso, ao atender a pedidos de donos da Rare. Ele trabalhava com equipamentos musicais e ficou conhecido pela trilha de Donkey Kong Country. A percepção sobre o alcance do mercado só veio com o tempo.
Ele descreve a evolução do setor: nos primeiros anos, a recepção do público era mais lenta. Somente cinco anos após o lançamento de Donkey Kong Country chegou um vídeo em Tóquio com a trilha, o que surpreendeu o compositor e mostrou a dimensão do impacto.
Limitações técnicas e inspirações
Wise explica que as limitações técnicas moldavam a construção das trilhas. No Super Nintendo, com oito canais de áudio, as composições eram alinhadas à posição do jogador para ambientar o jogo. Hoje, ele observa uma transformação marcada pela fragmentação cultural similar à dos anos 1960 e 1970.
Ele aponta o paralelo com a cena independente da época, citando a diversidade de estúdios que criam experiências criativas para jogadores. Embora haja orçamentos variáveis, a presença de desenvolvedores independentes mantém o setor relevante.
Inteligência artificial e futuro criativo
Para Wise, a IA é ferramenta de duas faces: pode gerar ideias, mas corre o risco de substituir a criatividade humana. Ele acredita que a tecnologia atingirá um limite, não alcançando a essência criativa dos artistas.
Questionado sobre a visão para jovens compositores hoje, ele admite que o cenário pode desanimar. Ainda assim, aponta que o excesso de produtos genéricos abre espaço para diferenciação, destacando a importância de estilo próprio.
Recomendações para novos músicos
Wise enfatiza a importância de escrever música do coração e manter o estilo pessoal. Segundo ele, quem começa deve buscar produzir o que gostaria de ouvir, o que, segundo o compositor, facilita a expressão de identidade musical.
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