- Clifford Brown, trompetista lembrado como “o novo Dizzy” por alguns e, para outros, quem teria sido o Miles Davis, morreu aos 25 anos em setenta e seis.
- O disco póstumo do selo Mocambo, intitulado Clifford Brown Memorial, reúne gravações feitas em Paris em 1953 e, depois, em Los Angeles, com o hard bop surgindo ao seu redor; incluem temas que se tornaram clássicos, como Joy Spring e Daahoud.
- O catálogo jazzístico da Mocambo foi criado por Jonas Silva, pernambucano que vive no Rio de Janeiro e já atuou como crooner dos Garotos da Lua, buscando guitarras menos conhecidas para o público.
- O LP de Clifford Brown Memorial foi encontrado, nos fundos de um sebo no Rio, no chão, em 1966; o narrador o descreve como uma peça rara.
- Faltando 70 anos da morte de Clifford Brown, 26 de junho é a data que o texto aponta como marco.
O jazz brasileiro ganha drama de bastidores com a história de um disco esquecido. Em meados dos anos 1960, a Mocambo, gravadora de Pernambuco, decidiu expandir seu catálogo de jazz. Para isso, chamou Jonas Silva, pernambucano baseado no Rio, ex-balconista e crooner de um grupo vocal conhecido. A ideia era lançar nomes menos conhecidos, mas com talento.
Jonas criou um catálogo dedicado, buscando rolos menos explorados pela indústria. Entre as escolhas estava um título chamado Clifford Brown Memorial, do selo francês Vogue. Clifford Brown, trompetista norte-americano, morrera em 1956 aos 25 anos, deixando uma lacuna enorme no jazz. Seu legado, porém, gerava debates sobre quem ele seria em vida.
O disco encontrado e a curiosa narrativa
Foi nos fundos de um sebo do Rio que o LP Clifford Brown Memorial apareceu, no chão, entre outros vinis. O redator encontrou o disco ao pesquisar materiais de época. O item, gravado entre Paris em 1953 e posteriores sessões na Califórnia, trazia faixas que davam conta da evolução do hard bop. A redescoberta gerou curiosidade sobre a circulação do registro.
O material listava Brown em um período criativo intenso, com o baterista Max Roach ao lado dele. Além de composições que se tornariam clássicos, como Joy Spring e Daahoud, a edição póstuma do álbum ampliaria o alcance do trompetista. A repercussão da redescoberta envolve colecionadores e historiadores do jazz.
Contexto e implicações históricas
Ao grupo de Brown também é atribuída influência na formação de um novo vocabulário do jazz moderno. Enquanto alguns o viam como possível substituto de Dizzy Gillespie, outros o reconheciam como caminho para o que Miles Davis viria a representar. A história da Mocambo, do Rio e do sebo aponta para a circulação paralela de obras de artistas que morreram jovens.
O registro encontrado, segundo relatos, reforça a ideia de que obras raras podem reaparecer em circunstâncias inusitadas. A celebração da data de 26 de junho marca a conclusão de 70 anos desde a morte de Brown, ocorrida em 1956. O episódio evidencia como o acaso pode renovar o interesse por trajetórias históricas do jazz.
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