- Tamer Nafar, cofundador do coletivo palestino DAM, lança o primeiro álbum solo, In the Name of the Father, the Imam and John Lennon, em que mescla história pessoal, hip‑hop e testemunho político.
- O trabalho foi construído ao longo de décadas, explorando a vida em Lydda, censura, perdas e a resistência palestina, incluindo a faixa de abertura The Beat Never Goes Off, que traz MC Abdul de Gaza em fala projetada sobre o muro.
- Durante a primeira turnê europeia, Nafar enfatiza a visibilidade de sua arte e a relação entre o global e o local, destacando críticas sociais em faixas como Go There e NaNa.
- O álbum dialoga com a experiência de ser um cidadão palestino em Israel, incluindo reflexões sobre discriminação, violência e a busca por humanidade, além de mencionar desafios de sample ou autorização musical.
- Nafar também comenta sobre a influência do teatro na montagem de performances, a priorização de canções de amor como expressão humana e a importância de ouvir e dar voz ao seu povo, incluindo um encontro recente com fãs palestinos em Haifa.
Tamer Nafar, cofundador do coletivo DAM, está em turnê europeia apresentando seu álbum solo In the Name of the Father, the Imam and John Lennon. O rapper palestino apresenta em cidades como Amsterdã, Birkenhead, Londres, Berlim, Hamburgo, Paris e Bruxelas. A obra nasce da memória, da perda e da resistência.
Nafar, fluente em árabe, hebraico e inglês, mergulha em temas pessoais e políticos. Aos 41 anos, ele revela que o processo de criação foi fragmentado, diferente do trabalho coletivo do DAM, com interrupções entre projetos e períodos difíceis como a pandemia.
O álbum cruza décadas de atuação do artista, que ganhou notoriedade com o single Min Irhabi. A obra anterior Ihda consolidou a fusão entre a vida cotidiana palestina e referências globais, que agora se expandem para novas parcerias e vozes.
Em faixas como The Beat Never Goes Off, o artista exibe a relação entre fronteiras, imagens públicas e identidades. A faixa aberta traz MC Abdul, de Gaza, dividido por muros que, segundo Nafar, não devem separar artistas que compartilham a mesma história.
Nafar destaca a experiência de viajar para públicos diversos. Ele afirma que a turnê visa visibilidade da arte palestina, sem abandonar as realidades que a moldam. O álbum mostra a construção de uma voz crítica, aliada a uma defesa da dignidade humana.
Entre temas políticos, o repertório aborda o aumento da criminalidade e a negligência estrutural com comunidades árabes. Em Go There e NaNa, o rapper alterna entre árabe e inglês, ampliando o alcance da mensagem sem perder o foco local.
O artista também fala sobre o método de produção do disco. Diferente do ritmo coletivo do DAM, o novo projeto foi criado entre turnês, pandemia e períodos de crise humanitária, com curadoria de samples e ajustes de autorização para uso de fragmentos.
Além da musicalidade, o álbum traz referências ao mundo do cinema, da poesia e da história familiar. Em trechos que falam do pai conservador e das viagens em carro pela Palestina, Nafar busca diálogo entre passado e presente para situar o impulso criativo.
O que emerge é uma narrativa de presença e sobrevivência artística. Nafar descreve sua prioridade em explorar canções de amor como forma de retratar relacionamentos humanos, incluindo relações entre pais e filhos, amigos e parceiros. A produção busca equilíbrio entre política e intimidade.
Durante a conversa, o rapper comenta a importância da performance. O teatro ajuda a estruturar setlists, ritmos e a presença no palco, influenciando a escolha de instrumentos e as apresentações em cada cidade, com músicos locais.
Há também um momento de transmissão coletiva em Haifa, quando Nafar abriu o palco para que palestinos presentes falassem ao microfone. Um show de 600 pessoas aproximou o público da voz do artista e de suas experiências diárias de deslocamento e censura.
O álbum e a turnê refletem a identidade de Nafar como artista e ativista. O projeto, que mistura linguagem poética, samples e instrumentação diversa, reconhece as dificuldades políticas sem abrir mão da humanidade de seu povo.
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