- Ópera Intolleranza 1960, de Luigi Nono, estreia no Theatro Municipal de São Paulo nesta sexta, dirigida por Eduardo Climachauska e Nuno Ramos.
- A montagem utiliza sobreposição temporal e projeções que mencionam Gaza, Pelourinho e Gás Mostarda, conectando crises de diferentes épocas.
- A história acompanha um imigrante que retorna à cidade natal e é preso por engano, com cenas de violência e vozes que ecoam pelo palco.
- A encenação inclui fantasmas ao longo do espaço, coreografia de Alejandro Ahmed e uma interação maior entre coro e plateia, reforçando questões sociais.
- A produção ocorre numa conjuntura de disputas entre a gestão do Theatro Municipal e a empresa gestora Sustenidos, que passou o comando ao Instituto Baccarelli pelos próximos cinco anos.
A ópera experimental Intolleranza 1960 abriu no Theatro Municipal de São Paulo com montagem guiada por Eduardo Climachauska e Nuno Ramos. A encenação mistura passado e presente, conectando a Segunda Guerra Mundial a crises contemporâneas, como a situação em Gaza. A apresentação segue um formato cênico intenso, com uso de projeções e dança.
A peça, original de Luigi Nono, questiona violência e opressão ao transitar entre símbolos históricos, desde campos de concentração até guerras modernas. A montagem paulistana traz referências a Sartre, guerra nuclear e catástrofes ecológicas, mantendo a radicalidade da obra.
A concepção utiliza recursos visuais fortes; projeções aparecem na cortina e em cenas dentro do espaço cênico. Os fantasmas percorrem o palco e o corredor, reforçando o tom de denúncia presente na obra desde a estreia de 1961, em Veneza.
A coreografia fica a cargo de Alejandro Ahmed, articulando movimentos que sugerem fragilidade e coletividade. Os bailarinos formam redes entre indivíduos cansados, buscando estabilidade e um organismo comum, diante da tensão dramática.
Sobre a gestão do Theatro Municipal, a equipe afirma que Intolleranza 1960 não sofreu interferências externas. O processo faz parte de uma transição institucional que levou o Instituto Baccarelli a vencer o edital de gestão pelos próximos cinco anos.
O novo regime de gestão visa preservar autonomia técnica e artística dos corpos de dança, música e ópera, mantendo a programação já aprovada para este ano. A mudança ocorre em meio a debates políticos sobre governança cultural na cidade.
Maestro Hernán Sánchez Arteaga comenta o papel do coro, que dialoga com o público na trama. A leitura enfatiza a função da coletividade na percepção das tragédias apresentadas pela ópera.
Priscila Bomfim, regente da orquestra, reforça a ideia de que a obra mantém diálogo com questões sociais e políticas atuais. A produção enfatiza a participação do público como parte do alcance cênico.
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