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Escaping Babylon, uma história intimista da música negra britânica

Memória íntima da música negra britânica, o livro reconstrói a evolução sonora desde Soul II Soul até grime, destacando conquistas e perdas na trajetória

Craig David performing at the 2002 Mobo awards.
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  • Lançamento do livro- memórias Escaping Babylon, de Jesse Bernard, que narra a história da música negra britânica em formato de mixtape, alternando trechos de ficção, poesias e memórias pessoais.
  • Aborda o período que começou em 1989, explorando artistas como Soul II Soul, Sade e Dizzee Rascal, e transitando por estilos que vão do UK funk ao grime, jungle e drill.
  • Destaca Lynden David Hall e a importância de programas e espaços como The Lick e MTV Base, ressaltando redes de artistas negros britânicos e sua evolução cultural.
  • Aponta que a ideia central é uma história íntima do autor como homem negro britânico, sem ampliar para fatores externos que moldaram o cenário, o que traz falhas de aprofundamento em alguns pontos.
  • O livro chega em ano de celebrações como os 30 anos do Mobo e a exposição The Music is Black no V&A East, contribuindo para ampliar a visão sobre a história da música negra britânica.

Escaping Babylon é uma história íntima da música negra britânica, escrita por Jesse Bernard. O livro-memória percorre a trajetória de 1989 adiante, cruzando ficção, poesia e notas de jornalismo musical. O eixo é a transformação de uma comunidade sonora em uma identidade cultural.

Bernard conta sua formação musical entre memórias de família, rádio do carro e artistas que moldaram o cenário. Entre eles, Soul II Soul, Sade, Mica Paris e Craig David aparecem como referências que guiam o leitor pelo nascimento do R&B britânico. O relato é moldado por encontros com artistas importantes e pela leitura de um território sonoro compartilhado.

O autor dialoga com a ideia de uma árvore musical, cujas raízes são o reggae e as vertentes britânicas que dele brotam. Do UK funky ao grime, jungle e drill, a obra traça a genealogia do que hoje se reconhece como Black British music. A narrativa valoriza a memória de 1990s e nomes que marcaram esse período.

Parte da obra é dedicada a artistas surgidos na década de 1990, como Lynden David Hall, cuja vida termina precocemente em 2006. Bernard destaca a importância de programas como The Lick, veiculado pela MTV Base, na disseminação de talentos. O retrato ajuda a entender os desdobramentos da cena no Reino Unido.

Contexto e abordagem

O livro sugere paralelos entre as dificuldades de circulação de artistas negros no passado e limitações contemporâneas, apontando locais de atuação como um circuito próprio de performance. Nessas passagens, aparecem espaços como Le Fez, Stratford Rex e Palace Pavilion, citados pelo próprio Dizzee Rascal.

Contribuições e limites

Escaping Babylon é apresentado como uma contribuição relevante para a história da música britânica negra, publicada em momento de celebração de marcos como prêmios MOBO e exposições que valorizam esse legado. O formato, híbrido entre memórias e análise, recebe destaque pela ambientação histórica e pela linguagem direta.

Considerações adicionais

Bernard oferece uma visão detalhada do desenvolvimento da cena, ao mesmo tempo em que reconhece lacunas ao tratar de fatores externos que moldam o meio. A obra mantém o foco no relato íntimo do autor, sem perder a ligação com o contexto cultural mais amplo.

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