- A artista Koyoltzintli trabalha com instrumentos cerâmicos para resgatar sons do passado, conectando fotografia, pintura, desenho e escultura em sua prática.
- A apresentação Tinkuy, 7 Acts from the Beginning, End, and Beginning of Time aconteceu em 2026 no River Center, em Nova Iorque.
- A pandemia acelerou uma transição dela do fotojornalismo para o som, inspirada pela cerâmica que ela acredita possuir capacidades sonoras antigas.
- A mostra How to Play a Broken Bone, na Al Held Foundation, Boiceville, Nova Iorque, fica até junho e traz peças inspiradas em uma flauta de osso antiga, além de séries como An arrow to the sky.
- Destaques incluem 9 Tz’lkin (2026), uma corrediça de cerâmica com espirais e velas acesas; o título faz referência a um dia maia voltado para cerimônias ligadas à água e ao fogo.
Koyoltzintli, artista multidisciplinar, atua em upstate New York e mantém forte vínculo com a costa Pacífica do Equador, berço de práticas cerâmicas antigas. Em seu estúdio, reúne flautas, chocalhos, tambores e instrumentos artesanais, que formam uma rede de memórias sonoras.
A articuladora de imagens e som afirma que o passado conversa com o presente para moldar o futuro de seu trabalho. A partir de 2020, a pandemia interrompeu deslocamentos, levando-a a explorar cerâmica com potencial sonoro que estaria esquecido no tempo.
Sua pesquisa se traduz em performances, instrumentos originais e oficinas para manter vivas tradições sonoras. Já apresentou-se com artistas como Guadalupe Maravilla e Delcy Morelos, além de desenvolver instalações com fotografias, vídeos e desenhos que funcionam como partituras visuais.
Obras em foco
No projeto How to Play a Broken Bone, em Boiceville, New York, até junho, a artista dialoga com uma flauta de osso centenária adquirida de um colecionador que nunca a ouviu tocar. A mostra traz desenhos de oito metros de altura inspirados em relevos da flauta e uma série intitulada An arrow to the sky, com pinturas em argila líquida sobre linho.
Entre as peças, está 9 Tz’lkin, uma grande flauta cerâmica de água com colunas e velas. O título remete a um dia do calendário maia dedicado a rituais de água e fogo, com a participação de elementos terra, água, fogo e ar. Os sons de assopro surgem ao derramar líquido no bocal e agitar o conjunto.
Contexto e métodos
A artista usa instrumentos que frequentemente seriam mantidos em vitrines, buscando tirá-los do silêncio para performances. Em seus trabalhos, instrumentos artesanais convivem com fotografia, vídeo e desenho, que atuam como guias gráficos para o público acompanhar as obras.
Koyoltzintli descreve a prática como um retorno a uma lógica de oferendas e abertura de espaços, como janelas de onde os espíritos entram e saem. A abordagem integra memória ancestral, pesquisa sonora e criação de novos instrumentos para a cena contemporânea.
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