- Entre janeiro e abril de 2026, a Coreia do Sul recebeu 6,77 milhões de visitantes estrangeiros, o maior volume para o período, impulsionado pela onda coreana (Hallyu).
- A estratégia usa políticas públicas e uma indústria criativa robusta para transformar música, cinema e séries em instrumentos de influência global.
- O crescimento internacional inclui o sucesso do K-pop, k-dramas e do K-beauty, além de marcos como “Gangnam Style” e o filme Parasita, que deram contornos ao fenômeno.
- A pandemia acelerou a visibilidade digital das produções sul-coreanas, ampliando a audiência de k-dramas e o consumo de conteúdos no exterior.
- No Brasil, instituições como a KOCCA atuam para conectar mercados, com a K-Content Biz Week Brazil promovendo mais de quarenta rodadas de negócios entre empresas brasileiras e sul-coreanas.
A Coreia do Sul transformou a cultura em um pilar de sua projeção internacional. O país alinha políticas públicas à indústria criativa para exportar música, cinema e séries, ampliando sua presença global. Em 2026, de janeiro a abril, recebeu 6,77 milhões de visitantes estrangeiros, segundo o Ministério da Cultura.
Esse movimento se apoia no soft power, isto é, influenciar o mundo pela atração cultural e valores compartilhados. A estratégia dialoga com a economia criativa, que abrange música, audiovisual, design e literatura, áreas que respondem por parte significativa do emprego e do PIB global, conforme dados da UNESCO.
A virada começou após crises históricas. Em 1997, diante de dificuldades econômicas, o governo de Kim Dae-jung promoveu a cultura como vetor de crescimento, criando entidades como KOCCA e KOFICE e adotando políticas de exportação cultural que perduraram entre governos.
O fenômeno ganhou escala ao longo dos anos 2000 e, em 2012, ganhou projeção mundial. O clipe de Gangnam Style alcançou bilhões de visualizações, impulsionando o K-pop e abrindo caminho para a internacionalização de artistas. O cinema sul-coreano também ganhou destaque com Parasita, premiado em Cannes e no Oscar.
O impacto se estende a áreas diversas. O K-pop consolidou-se como indústria global. O cinema recebe reconhecimentos internacionais, enquanto o K-beauty redefine hábitos de consumo. Conceitos como jeong e heung aparecem como elementos culturais de bem-estar difundidos no exterior.
A pandemia de Covid-19 acelerou a visibilidade de produções sul-coreanas e o consumo digital. Relatórios indicam crescimento da audiência de k-dramas e expansão do interesse por conteúdos coreanos em várias regiões, reforçando o papel da cultura na diplomacia econômica.
Dinâmico mercado e parcerias
O BTS exemplifica a estratégia: o lançamento de Arirang superou 100 milhões de reproduções no dia de estreia, com venda de milhões de cópias em 24 horas. A turnê mundial percorre 23 países, com lotação esgotada e presença relevante em premiações e festivais.
No Brasil, a KOCCA atua para conectar produção local com o mercado sul-coreano, enxergando o Brasil como porta de entrada para a América Latina. A iniciativa busca conectar cultura, diplomacia e negócios entre os dois países.
No Rio de Janeiro, a K-Content Biz Week Brazil reuniu mais de 40 rodas de negócio entre brasileiras e sul-coreanas, com participação de HYBE e CJ ENM. O evento mostrou que o soft power se traduz em oportunidades de mercado, além de visibilidade cultural.
O Korean Cultural Center em São Paulo integra esse ecossistema. O centro funciona como elo entre imigrantes, promotores e fãs, promovendo exposições como Minhwa e fortalecendo intercâmbio acadêmico e artístico. O centro planeja Fórum de Estudos Coreanos neste ano.
A articulação entre Estado, indústria, centros culturais e comunidade explica a consolidação do modelo sul-coreano. Música, cinema, séries e literatura viraram ativos estratégicos, gerando impacto econômico, diplomático e simbólico em escala global.
Mônica Cabañas, correspondente internacional credenciada junto às Nações Unidas em Genebra, assina a reportagem.
Entre na conversa da comunidade