- O velório de Carlos “Indio” Solari ocorreu no domingo em Avellaneda, na região metropolitana de Buenos Aires, em uma capela que abrigava o corpo.
- A fila para prestar homenagens tinha mais de sete quilômetros de extensão, com fãs cantando, segurando faixas e tocando música, sob chuva discreta ao fim do dia.
- Solari morreu na sexta-feira, aos 77 anos, de derrame, sendo considerado o músico mais popular da Argentina; seu último show foi em 2017, com cerca de 400 mil pessoas.
- O cantor cofundou a banda Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota; suas letras densas, cheias de referências políticas e históricas, tornaram-se símbolo de identidade para muitos fãs.
- A cerimônia ocorreu em Avellaneda após o governo de Javier Milei negar autorização para um velório no Congresso; Solari tinha uma postura peronista ao longo de sua carreira.
Carlos Alberto “Indio” Solari, ídolo da música argentina, faleceu na sexta-feira aos 77 anos após sofrer um acidente vascular. O velório aconteceu neste domingo em Avellaneda, região metropolitana de Buenos Aires, com uma vigília de fãs que se estendeu por mais de 7 km. O corpo permaneceu em uma capela local ao longo da noite.
As filas para prestar homenagem se estenderam por quilômetros, com multidões que permaneceram até o fim da tarde. Membros da torcida e simpatizantes cantaram canções de rock, agitaram bandeiras e levaram alto-falantes que reproduziam a música de Solari. Ao redor, comerciantes vendiam camisetas com a imagem do artista.
Solari morreu em decorrência de um derrame, segundo informações oficiais divulgadas após o falecimento. O velório, antes realizado em Avellaneda, ocorreu em uma capela da cidade, após o governo local ter recusado a realização de cerimônia no prédio do Congresso, sob alegação de incompatibilidade com o protocolo de honra.
Antes da cerimônia, a comoção já era declarada nas redes sociais e pela imprensa local, destacando a longevidade do artista na cena roqueira argentina. Sua trajetória começou com a banda Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota, em 1976, e seguiu com projetos próprios após a separação do grupo, em 2002.
Contexto musical e cultural
Analistas observam que o alcance internacional de Solari foi limitado, apesar de seu enorme impacto na Argentina. A linguagem poética e o tom de seu rock, associado ao universo operário, tornaram sua obra particularmente identificável para o público local. A oposição entre estilos globais e a produção nacional também é mencionada como fator-chave para a difusão restrita fora do país.
Pesquisadores ressaltam que a receptividade à obra de Solari evidencia particularidades da cultura argentina, com forte vínculo entre música, política e memória social. Historiadores apontam que a ruptura entre tendências internacionais e o rock argentino moldou uma identidade única, pouco traduzível para outros contextos latino-americanos.
Relatos de fãs que aguardavam a passagem do corpo destacaram o caráter quase familiar do vínculo com Solari. Para muitos, a carreira do artista representa um marco de valores artísticos e de resistência cultural, o que explica a mobilização de várias gerações nas despedidas.
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