- Première de trechos de Mothers of Kherson na Ópera Nacional da Ucrânia, em Kyiv, abordando a abdução de crianças ucranianas por ocupantes russos.
- Público de destaque incluía Olena Zelenska, primeira-dama; a primeira-ministra Yulia Svyrydenko; e a ministra da cultura, Tetyana Berezhna; além de famílias afetadas pela situação.
- A obra, que nasceu para falar de Maidan, ganhou libretto de George Brant; tradução para ucraniano por Myroslav Laiuk; direção musical de Keri-Lynn Wilson; encomenda do Metropolitan Opera, de Nova York.
- O enredo segue a deportação de crianças para a Crimeia ocupada e as tentativas de as famílias recuperarem seus filhos, com cenas de coral e momentos emocionais.
- A produção completa chega a Varsóvia neste outono e terá estreia em Nova York, no Metropolitan Opera, na primavera de 2028.
Os editores do National Opera of Ukraine, em Kyiv, receberam uma plateia carregada de emoção para a estreia de trechos de Mothers of Kherson, uma ópera sobre a deportação de crianças ucranianas por ocupantes russos. O Metrô da cidade ecoou com o tema pesado, que mistura trauma e catarse em uma noite de apresentações.
A ópera foi concebida pelo librettista americano George Brant, que mudou o foco da obra em 2023 após as notícias sobre crianças raptadas. O compositor ucraniano Maxim Kolomiiets, que mora em Leipzig, afirmou que o tema conquista mais pessoas ao tratar de crianças, tornando-o amplamente relevante.
Na plateia, figuras de alto escalão foram vistas entre as famílias afetadas. Estiveram presentes Olena Zelenska, primeira-dama; Yulia Svyrydenko, primeira-ministra, e Tetyana Berezhna, ministra da Cultura. Ainda assim, o público mais comovido foi formado por famílias de territórios anteriormente ocupados.
A performance trouxe a público relatos de mães que recuperaram filhas em Crimea e outras que ainda buscam seus filhos. O enredo acompanha Kherson, cidade sulista, sob ocupação, e cenas de confronto entre mães, avós e ocupantes, com coral e orquestra em cena.
A obra foi encomendada pelo Metropolitan Opera, de Nova York, como ato de solidariedade à Ucrânia. A direção musical ficou a cargo de Keri-Lynn Wilson, que também coordena a Orquestra da Liberdade Ucraniana. A encenação contou com a participação de coros infantis ucranianos.
Para Kyiv, a ópera ganhou uma versão em ucraniano, traduzida por Myroslav Laiuk. Em futuras apresentações em Varsóvia e Nova York, será apresentada em inglês, mantendo a acessibilidade linguística promovida pela produção.
O elenco de criadores inclui Sasha Andrusyk, produtora, que reuniu depoimentos de mães e filhos para fundamentar o libreto, e Mykola Kuleba, fundador da Save Ukraine, presente na audiência. Brant e Andrusyk classificaram o material como verossímil, com personagens ficcionais conectados por relatos reais.
A estreia em Kyiv ocorreu antes de apresentações futuras, com estreia integral prevista para Varsóvia neste outono e uma première nova-iorquina no Metropolitan Opera em 2028, ampliando o alcance internacional da obra. A linguagem musical, acessível e melódica, busca dialogar com tradições do sul da Ucrânia.
A produção recebeu tradução adicional para o ucraniano, preservando rimas internas e o tom emocional. O objetivo dos produtores é alcançar público global, mantendo a fidelidade aos relatos de famílias afetadas e às informações sobre deportação de crianças em áreas sob ocupação.
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