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Punk moldou a rebeldia brasileira em 50 anos, entre vinil e alta costura

Cinco décadas de punk no Brasil moldaram cultura independente, consciência política e moda de rua, conectando periferias a passarelas

Conjunto musical Punk, durante show no 1° Festival Punk, no Sesc Pompeía, em São Paulo (SP).
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  • O punk completa cinquenta anos no Brasil, começando com escutas coletivas em 1976 em Brasília, vindas de álbuns importados dos EUA e da Inglaterra.
  • Entre 1977 e 1980, o movimento chega a São Paulo e se espalha pela periferia, tornando-se expressão de jovens em meio a desigualdades, desemprego e violência policial.
  • O festival O Começo do Fim do Mundo, em 1982, no Sesc Pompeia, é apontado como marco que popularizou o punk paulista e influenciou o surgimento de várias bandas.
  • A cultura punk gerou um modo de vestir como discurso, incluindo o punk de boutique, com referências a Vivienne Westwood e a atuação de Supla, além de estilistas como Alexandre Herchcovitch.
  • A cena consolidou uma cultura independente de autoprodução e produção de festivais, com impactos também na arte e na imprensa, incluindo projetos de moda, artes plásticas e veiculação na MTV.

O punk completa meio século no Brasil, evidenciando uma força de expressão que atravessa regiões. Desde as sessões de escuta em Brasília, em 1976, até o impacto que chegou às ruas e às artes, o movimento moldou identidades e questionou estruturas.

Em Brasília, jovens da Asa Norte trocavam fitas e promoviam festas junto ao lago Paranoá. Philippe Seabra, líder da Plebe Rude, relembra que chegou dos EUA em 1976; cinco anos depois conheceu André Muller, que trouxe álbuns clássicos de punk inglês e americano.

A circulação de discos ocorreu em malotes diplomáticos, com referências como The Clash, Buzzcocks e Killing Joke. As revistas Enemy também chegavam, junto de gravadores RCA Small Wonder, alimentando o circuito de Brasília.

Ponto de virada em São Paulo e na periferia

Entre 1977 e 1980, o punk chega a São Paulo e se espalha pela periferia, em meio a industrialização e desigualdade. O marco negativo para o movimento foi superado pela instalação de uma cena independente que produz discos, festivais e fanzines sem depender da indústria.

Moacir Alcântara, da UnB, aponta que o Festival O Começo do Fim do Mundo, em 1982 no Sesc Pompeia, popularizou o punk paulistano. A cena consolidou o conceito de independência e influenciou bandas diversas.

Essa autonomia também influenciou mudanças de mentalidade, especialmente entre jovens periféricos. Cannibal, vocalista da Devotos, relata que o movimento trouxe percepção do racismo estrutural e empoderamento cultural para quem vivia discriminação.

Moda, palcos e alta costura

O movimento levou a roupa a ser discurso. O punk de boutique, inspirado em Vivienne Westwood, integrou passarelas e lojas de moda. Supla sintetiza o estilo como expressão de resistência que ultrapassa fronteiras, com referências ao visual de palco e às ruas.

Herchcovitch, que integrou o universo da moda, destaca o desafio de unir alfaiataria, alta costura e estética punk sem caricaturas. O objetivo foi traduzir a energia do movimento em peças com impacto visual e significado político.

Legados e artes visuais

Na prática artística, o punk influenciou a produção plástica e o design gráfico. Silvana Mello, artista plástica, destacou-se nos créditos de vinhetas da MTV e na trajetória de artes visuais ligadas ao Oi! em São Paulo, ampliando a relação entre punk e artes visuais.

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