- Abdullah Ibrahim, pianista e líder de banda, morreu aos 91 anos; nasceu como Adolph Johannes Brand, em Cape Town, em 1934.
- Cofundou o grupo Jazz Epistles em 1959, a primeira banda de jazz negra sul-africana, com o trompetista Hugh Masekela; o álbum Jazz Epistle Verse 1 é um marco do bebop sul-africano.
- Por causa da repressão do apartheid, deixou a África do Sul nos anos sessenta e gravou em Zurique, onde Duke Ellington o convidou para tocar e gravar.
- Escreveu Mannenberg, composição que se tornou um hino de resistência durante o apartheid, gravada em Cape Town e defendida com entusiasmo por Nelson Mandela.
- Nos anos setenta e oitenta, seguiu com projetos como The Journey e African Dawn; formou o septeto Ekaya em 1983; em 1998 lançou African Suite com orquestra de dezoito membros; em 2019 surgiu uma nova fase com The Balance, Dream Time, Solotude e o trio 3.
Abdullah Ibrahim, pianista e bandleader sul-africano, morreu aos 91 anos. O músico, cuja trajetória se conectou ao jazz de raiz africana e à luta contra o apartheid, faleceu em data não informada publicamente. O legado inclui dezenas de gravações que marcaram a história do gênero.
Nascido como Adolph Johannes Brand, em Cape Town, em 1934, Ibrahim iniciou a carreira aos 15 anos sob o nome Dollar Brand. Em 1959, cofundou o grupo Jazz Epistles, a primeira banda de jazz negra da África do Sul, com Hugh Masekela. O álbum Jazz Epistle Verse 1 estreou o que seria sua linguagem musical.
O deslocamento para a Europa ocorreu diante da repressão do regime. Em Zurique, a convite de Duke Ellington, gravou com a orquestra do maestro, o que resultou em um registro elogiado pela evolução técnica de Ibrahim. A peça Mannenberg emergiu durante uma viagem a Cape Town e tornou-se símbolo de resistência.
Trajetória e marcos
Na década de 1970, Ibrahim colaborou com Don Cherry, expandindo para o experimentalismo. O álbum The Journey, de 1977, contou com um conjunto de nove músicos e uma suíte de 17 minutos, Jabulani (Joy), marcada por improvisação livre e melodias acessíveis.
Em 1982, African Dawn trouxe uma abordagem mais delicada, com tributos a Monk, Coltrane e Strayhorn. A faixa Just You, Just Me ganhou destaque pela densidade harmônica e pelo uso de peso no baixo esquerdo que sustenta a melodia flutuante.
A formação Ekaya, criada em 1983, tornou-se uma das mais estáveis do artista, oferecendo uma sonoridade big-band com uma linha de saxofones, trombone e uma seção rítmica enxuta. Mandela, faixa de Water from An Ancient Well (1985), evidencia o swing profundo da banda.
Os anos 1990 tiveram Ibrahim explorando formatos ampliados, como African Suite (1998), com orquestra de 17 cordas. The Wedding, originalmente do álbum African Marketplace (1980), ganhou versão com orquestrações que ampliaram seu lirismo.
No final da carreira, Ibrahim manteve a produção criativa com projetos como The Balance (2019), Dream Time e Solotude, além de gravações ao vivo com trio. A obra contínua do pianista retrata uma jornada de inovação sem abrir mão de raízes tradicionais.
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