- Numa noite no bar Sandchurra, em São Paulo, Chico Buarque viu Gilberto Gil interpretar Rancho da Rosa Encarnada e decidiu compor para desafiar Gil no II Festival de Música Popular Brasileira.
- A Banda foi entregue a Nara Leão para defender o festival da TV Record, em outubro de 1966, e vendeu mais de 100 mil cópias em menos de uma semana.
- No festival, a canção empatou em primeiro lugar com Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros; as papeletas de voto foram guardadas em cofre, o que deixou a definição de vencedor em disputa.
- Naquele contexto de regime militar, Chico, estudante da USP, criou uma marchinha lírica que foge do panfleto e fala da passagem de uma banda pela cidade.
- A repercussão incluiu crônicas de Carlos Drummond de Andrade, elogios de Nelson Rodrigues, e a ditadura chegou a usar a música em campanha de alistamento, o que levou Chico a protestar.
Numa noite no bar Sandchurra, na Galeria Metrópole, em São Paulo, Gilberto Gil se apresentou e impressionou Chico Buarque com uma performance. A cena despertou no compositor a vontade de vencer o II Festival de Música Popular Brasileira, com uma música que superasse o rival.
Chico assistiu a Rancho da Rosa Encarnada e saiu do local com uma ideia: compor uma canção para competir no festival da TV Record, em outubro de 1966. O impulso nasceu da admiração pela presença de palco de Gil e do desejo de superar o desafio musical.
A partir desse momento nasceu A Banda, entregue para Nara Leão defender no festival. A canção, freio poético à militância de protesto, ganhou força pela simplicidade de uma marchinha que retrata a vida de uma banda de rua.
Comercialmente, a música surpreendeu: vendeu mais de 100 mil cópias em menos de uma semana. No festival, ficou empatada em primeiro lugar com Disparada, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, segundo relatos dos bastidores.
Determinante no desfecho, o voto foi guardado em cofre, a pedido da Record, e não foi tornado público, segundo o produtor Zuza Homem de Mello. Chico não quis ser visto como o único vencedor da noite, mantendo a disputa acirrada.
Naquela época, o Brasil vivia o início do regime militar, com festivais dominados por engajamentos políticos. Chico, estudante de arquitetura na USP, mostrou que uma canção lírica pode ir na contramão do panfletarismo.
A Banda ultrapassou gerações: elogiada por críticos como Carlos Drummond de Andrade e comentada por Nelson Rodrigues, que reconheceu o impacto emocional da música. Em certa época, a ditadura chegou a utilizá-la em campanhas de alistamento militar.
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