- Descendentes de Julia Kerr reuniram-se em Caputh, perto de Berlim, para um recital em homenagem à compositora e à obra Chronoplan, iniciada no final dos anos vinte.
- A ópera foi escrita por Kerr e teve a partitura levada consigo quando a família fugiu da Alemanha nazista em 1933; a estreia não ocorreu na época.
- A apresentação contou com a soprano Ruth Rosenfeld e o pianista Norbert Biermann, que ajudaram a reconstruir e apresentar trechos da obra.
- Chronoplan teve sua estreia mundial no palco no início deste ano, no Staatstheater Mainz, quase um século após ter sido escrita.
- A redescoberta e o impulso para divulgar Kerr integram o novo Exile Museum, que abrirá em 2028 para reunir histórias de artistas obrigados a fugir, incluindo Kerr, Alfred Kerr e Judith Kerr.
Descendentes de Julia Kerr reuniram-se no Caputh, perto de Berlim, no jardim da antiga casa de verão de Einstein. O recital celebrou Chronoplan, uma ópera inacabada de Kerr que ficou esquecida por décadas.
A apresentação contou com Ruth Rosenfeld, cantora-atriz, e Norbert Biermann ao piano, responsáveis por recuperar partituras antes catalogadas incorretamente. A obra foi escrita no final dos anos 1920 e ficou guardada durante a emigração da família.
O encontro ocorreu numa tarde de vento forte, no local onde Chronoplan ambienta a narrativa da ópera. Kerr deixou a partitura incompleta ao fugir da Alemanha nazista em 1933 com a família, levando apenas o material em andamento.
Contexto histórico
O projeto foi reavivado após a redescoberta de partituras na Academia de Artes de Berlim e por ações da dramaturga Sonja Westerbeck, de Mainz, que levou Chronoplan ao palco pela estreia mundial no Staatsorchester Mainz neste ano.
A revisita ao legado de Kerr acontece em meio ao interesse crescente por compositoras esquecidas, com apoio de museus e instituições que pretendem abrir espaço para a vida de artistas que tiveram a obra suprimida.
A trajetória da família Kerr ganha novo impulso com a abertura, em 2028, de um Exile Museum em Berlim, que reunirá histórias de Julia, Alfred e Judith Kerr, além de outras pessoas obrigadas ao exílio.
George Kerr, neto de Julia, destacou que o tema é pouco conhecido e destacou a importância de reverenciar a trajetória da avó, que conciliava vida familiar e música durante a Weimar.
Entre na conversa da comunidade