Ana Cristina, de 56 anos, enfrentou a difícil tarefa de lidar com o uso de cigarros eletrônicos pelo filho, Lucas, que começou a utilizar os dispositivos aos 12 anos. Inicialmente, a mãe acreditou que eram apenas “engenhocas da moda”, mas logo se deparou com os riscos associados aos dispositivos, conhecidos como dispositivos eletrônicos para fumar […]
Ana Cristina, de 56 anos, enfrentou a difícil tarefa de lidar com o uso de cigarros eletrônicos pelo filho, Lucas, que começou a utilizar os dispositivos aos 12 anos. Inicialmente, a mãe acreditou que eram apenas “engenhocas da moda”, mas logo se deparou com os riscos associados aos dispositivos, conhecidos como dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs). Esses produtos aquecem líquidos que contêm substâncias como nicotina, propilenoglicol e glicerina vegetal, e podem ter efeitos prejudiciais à saúde, além de gerarem resíduos complexos e difíceis de descartar.
Os vapes, além de serem uma preocupação de saúde, também representam um desafio ambiental significativo. Eles geram três tipos de resíduos: plásticos, lixo eletrônico e resíduos perigosos, como metais pesados e nicotina líquida. A produção de plásticos, que totaliza mais de 430 milhões de toneladas anualmente, resulta em microplásticos que contaminam a vida marinha e afetam a saúde humana. Já as baterias de íon-lítio, presentes nos dispositivos, são difíceis de reciclar e podem causar contaminação do solo e riscos de incêndios.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém a proibição da comercialização e uso de cigarros eletrônicos desde 2009, considerando os riscos à saúde e ao meio ambiente. Apesar disso, o mercado ilegal de vapes tem crescido, com apreensões que ultrapassaram 2 milhões de unidades em 2024. A falta de conscientização sobre os riscos e a baixa percepção de perigo entre os jovens têm contribuído para a aceitação dos dispositivos em espaços públicos.
A complexidade do descarte dos vapes é um reflexo de um problema maior: a criação de produtos que não atendem a necessidades reais e que geram resíduos tóxicos. A pesquisa aponta que a responsabilidade pelo descarte deve ser dos fabricantes, mas a burocracia e a falta de infraestrutura dificultam a reciclagem. A situação exige uma abordagem mais eficaz para lidar com os resíduos gerados, evitando que esses dispositivos se tornem um fardo ambiental ainda maior.
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