Uma nova pesquisa publicada na revista The New England Journal of Medicine revela que a vaginose bacteriana, uma infecção vaginal comum, deve ser considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST). A primeira autora do estudo, Lenka Vodstrcil, do Centro de Saúde Sexual de Melbourne, destaca que a infecção apresenta um período de incubação semelhante ao de […]
Uma nova pesquisa publicada na revista The New England Journal of Medicine revela que a vaginose bacteriana, uma infecção vaginal comum, deve ser considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST). A primeira autora do estudo, Lenka Vodstrcil, do Centro de Saúde Sexual de Melbourne, destaca que a infecção apresenta um período de incubação semelhante ao de outras ISTs e está associada a fatores de risco como a mudança de parceiro sexual e a falta de uso de preservativos.
Tradicionalmente vista como uma questão feminina, a vaginose bacteriana afeta cerca de metade das mulheres que a apresentam, com recorrências frequentes após o tratamento inicial com antibióticos. Os pesquisadores identificaram que a bactéria causadora da infecção pode estar presente nos parceiros masculinos, que geralmente não recebem tratamento. Ao tratar ambos os parceiros, a taxa de recorrência da infecção caiu de 65% para 35%.
O estudo, que envolveu 164 casais na Austrália, demonstrou que o tratamento apenas para a mulher era menos eficaz. Os homens tratados relataram efeitos colaterais como náuseas e dores de cabeça. A pesquisadora Catriona Bradshaw ressalta que, apesar de ainda não se conhecerem todas as bactérias envolvidas, os avanços no sequenciamento genômico estão ajudando a esclarecer a transmissão da infecção.
Os especialistas em doenças infecciosas que comentaram o estudo afirmam que a evidência de transmissão sexual representa uma mudança de paradigma na abordagem do tratamento da vaginose bacteriana. Eles enfatizam a importância de envolver os parceiros masculinos na responsabilidade pelo tratamento e prevenção da infecção, já que até agora não existem estratégias eficazes além do uso consistente de preservativos. Os sintomas incluem coceira, dor ao urinar e secreção vaginal, mas a condição pode ser assintomática, dificultando o diagnóstico e tratamento.
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