Entidades médicas estão alertando sobre os riscos do uso de testosterona por mulheres, afirmando que a única situação em que o hormônio deve ser usado é para tratar o transtorno do desejo sexual hipoativo na pós-menopausa, e somente após uma avaliação médica cuidadosa. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e o Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia emitiram uma nota desmentindo mitos sobre a testosterona. Eles explicam que o hormônio não deve ser usado para emagrecimento, ganho de massa muscular ou rejuvenescimento, pois não há evidências científicas que apoiem essas indicações. A testosterona começa a diminuir gradualmente a partir dos 30 anos, e o tratamento hormonal para mulheres deve ser feito com estrogênio e progesterona. Além disso, não existe uma definição clara de “baixa testosterona” e exames para medir seus níveis não são recomendados, exceto para identificar condições específicas. No Brasil, não há formulações de testosterona aprovadas para mulheres, e o uso de implantes hormonais não é seguro. O uso de testosterona para fins estéticos ou de performance é desaconselhado, pois pode causar sérios problemas de saúde, como danos ao fígado e aumento do risco de eventos cardiovasculares. A testosterona deve ser considerada apenas como última opção, após avaliar outros fatores que podem afetar o desejo sexual.
Entidades médicas emitiram um alerta sobre os riscos do uso indiscriminado de testosterona em mulheres. A única indicação reconhecida para a administração desse hormônio é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) na pós-menopausa, e somente após avaliação médica.
A nota foi divulgada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pelo Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Os especialistas desmentem mitos e apresentam evidências científicas sobre a testosterona no organismo feminino.
O diretor da SBEM, Clayton Macedo, destacou que a prescrição de testosterona para mulheres tem crescido, sendo indicada erroneamente para emagrecimento, ganho de massa muscular e rejuvenescimento. A ideia de que a menopausa causa uma queda brusca nos níveis de testosterona é considerada equivocada, pois o hormônio diminui gradualmente a partir dos trinta anos.
Uso de Testosterona e Exames
A ginecologista Maria Celeste Wender, presidente da Febrasgo, afirmou que não existe o conceito de “baixa testosterona” e que exames para verificar os níveis do hormônio não são recomendáveis. Esses testes são úteis apenas para identificar níveis altos, que podem indicar problemas de saúde.
Atualmente, não há formulação de testosterona aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em mulheres. A única testosterona disponível é para uso masculino, em concentrações cinco vezes superiores ao que seria indicado para mulheres. A manipulação customizada em farmácias é a única alternativa para o tratamento do TDSH.
Riscos Associados
O uso de implantes subcutâneos e fórmulas manipuladas, frequentemente vendidas como “bioidênticas”, é desaconselhado. Esses produtos apresentam riscos aumentados de efeitos colaterais e falta de controle de qualidade. O único implante hormonal seguro no Brasil é o de levonorgestrel, aprovado como anticoncepcional.
As entidades médicas reforçam que não há respaldo científico para o uso de testosterona com fins estéticos ou de performance. O tratamento do TDSH deve ser considerado apenas após avaliação de fatores que influenciam o desejo sexual, como questões emocionais e de saúde mental. A testosterona deve ser a última opção, conforme ressaltou a mastologista Rosemar Macedo, presidente da Comissão Nacional Especializada em Mastologia da Febrasgo.
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