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Van Gogh: morte atribuída a suicídio, não a homicídio

Filme de Julian Schnabel sustenta suicídio de Van Gogh e questiona autenticidade do caderno de Arles, apesar de especialistas defenderem suicídio e dúvidas sobre as obras

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  • O filme At Eternity’s Gate, de Julian Schnabel, apresentado em Veneza, sustenta que Van Gogh foi morto por um adolescente e que 65 esboços supostamente autênticos são reais, em tese.
  • A ideia de que Van Gogh foi morta por René Secrétan, um rapaz de 16 anos, ganhou manchetes após biografia de Naifeh e Smith, mas é contestada por especialistas.
  • Pesquisadores do Museu Van Gogh, Louis van Tilborgh e Teio Meedendorp, defendem, em estudo de 2013, que o mais provável é suicídio, com base em evidências e nas cartas.
  • O Caderno de Arles, com 64 desenhos, também é questionado; o museu afirma que não são de Van Gogh e seriam imitações posteriores.
  • Schnabel admite que o filme é ficção e pode oferecer novas leituras sobre a vida e a criatividade do artista, mas não deve ser tomado como verdade histórica sem confirmação.

Julian Schnabel lança em Veneza um filme sobre Van Gogh que, segundo críticas, pode ser artístico mas não fiel aos fatos. At Eternity’s Gate sugere que o pintor foi atingido por um jovem de 16 anos e questiona a autenticidade de 65 esboços publicados em 2016, o que não é consensual entre especialistas.

A hipótese de homicídio, atribuída a René Secrétan, foi apresentada pela primeira vez na biografia de 2011 de Steven Naifeh e Gregory White Smith. O texto não esclarece se houve assassinato ou homicídio culposo, mas aponta que o tiro ocorreu em Auvers-sur-Oise em 27 de julho de 1890, levando Van Gogh à morte dois dias depois.

Especialistas do Van Gogh Museum, Louis van Tilborgh e Teio Meedendorp, refutaram a teoria em artigo de 2013. Analisam evidências sobre o relacionamento entre Vincent e Theo nas últimas semanas e o conteúdo da carta encontrada no corpo, concluindo pela suicididade.

Provas e interpretações

Para Emile Bernard, amigo fiel, a ideia de suicídio era clara. Bernard escreveu a Albert Aurier, dois dias após o funeral, que a morte foi deliberada e em plena lucidez. Além disso, Van Gogh já havia tentado suicídio no asilo de Saint-Paul-de-Mausole, meses antes, sustentam as fontes históricas.

A controvérsia se estende às chamadas Arles Sketchbook, um conjunto de 64 desenhos atribuídos a Van Gogh. A publicação em 2016 levantou dúvidas sobre a autoria, com o Museu Van Gogh afirmando que as obras não teriam sido feitas pelo artista e que teriam sido imitadas por alguém inspirado em reproduções.

Atualizações e contexto

O museu citou questões sobre tipo de tinta, descoloração, instrumentos usados e lacunas de proveniência para negar a autenticidade. Schnabel admite que o filme é ficção, mas a produção pode gerar novos mitos sobre a vida de Van Gogh. A expectativa é pela avaliação crítica na estreia ampla internacional.

Uma exposição relacionada abriu recentemente fora de Copenhague, no ARKEN Museum for Moderne Kunst, permanecendo em cartaz até 20 janeiro. A mostra não está vinculada diretamente ao filme, mas amplia o debate sobre o período de Van Gogh em Arles.

Para mais informações sobre At Eternity’s Gate, consulta-se o site do Venice Film Festival. O material em questão não representa, de forma oficial, a versão histórica verificada pela comunidade acadêmica.

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