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Bailarina que inspirou Pacarrete xingava crianças com doçura incompreendida

Pacarrete inspira filme sobre bailarina cearense considerada incompreendida; lançamento anima público em Russas, resgatando a memória da artista

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  • O filme Pacarrete é inspirado na vida de Maria Araujo Lima, conhecida como Pacarrete, uma ex-bailarina e professora que vivia em Russas, no Ceará.
  • Na estreia em Russas, 400 cadeiras foram montadas na praça e cerca de 3.000 pessoas aplaudiram o longa ao fim da exibição.
  • O longa, premiado com oito Kikitos no Festival de Gramado, chega aos cinemas paulistanos nesta quinta-feira (26).
  • O diretor Allan Deberton mergulhou 12 anos na memória de Pacarrete, entrevistando pessoas que a conheceram e buscando duas visões sobre a artista: vista como perturbada e lembranças afetuosas.
  • O filme retrata Pacarrete como uma mulher culta e à frente de seu tempo, cuja reputação sofria incompreensão na cidade, mas que, com o tempo, é reconhecida por sua coragem e talento.

A bailarina que inspirou o filme Pacarrete ganhou notoriedade pelas memórias de uma cidade inteira. O longa estreou em Russas, Ceará, com 400 cadeiras ocupadas em praça pública e telão ao ar livre, reunindo cerca de 3.000 espectadores ao final da exibição. O filme chega aos cinemas paulistanos no dia 26, com a atenção voltada para a figura que marcou a história local.

Dirigido por Allan Deberton, Pacarrete retrata Maria Araujo Lima (1912-2004), conhecida na cidade como uma bailarina e professora de dança que viveu em Fortaleza e passou suas últimas décadas em Russas sob a reputação de excêntrica. O diretor, nascido na cidade, escreveu uma história que nasceu de entrevistas com moradores e de memórias diversas sobre a personagem.

A narrativa acompanha a trajetória da mulher que, ao longo da vida, demonstrou interesse por teatro, música clássica e artes visuais, enquanto enfrentava o preconceito de uma comunidade que a via como fora do comum. Pacarrete é apresentada como alguém evolutivamente complexa, com sonhos artísticos que não foram plenamente reconhecidos pela cidade.

Premissa e trajetória

Deberton descreve Pacarrete como uma figura culta e falante, que se envolveu com festas da cidade e buscou levar aprendizados da capital para Russas. A história enfatiza a interpretação de que a reputação de loucura decorre de uma incompreensão coletiva, mesmo com gestos de celebração pública de seu talento.

Ao longo do filme, a personagem é retratada em processo de redenção, passando de estereótipo de excêntrica para uma visão mais acolhedora de uma mulher à frente de seu tempo. A produção busca revelar a pluralidade de memórias sobre a bailarina e, com isso, ampliar o entendimento sobre seu papel na cultura local.

Repercussão em Russas

Quinze anos após a morte, a cidade passou a reconhecer a importância de Pacarrete. A exibição do filme provocou emoção entre moradores, que passaram a refletir sobre as fragilidades, medos e sonhos da mulher retratada. O longa é baseado em acontecimentos reais e nas lembranças de quem conviveu com a bailarina.

Pacarrete, dirigido por Allan Deberton, é estrelado por Marcélia Cartaxo, Zezita Matos e João Miguel. O filme tem duração de 98 minutos e está indicado para maiores de 12 anos. Sua recepção enfatiza a construção de memória e a valorização histórica de uma figura que habituou a cidade a ser vista de maneira menos unidimensional.

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