- Elize Kitano Matsunaga foi condenada em 2012 a 19 anos e 11 meses por matar e esquartejar o marido, Marcos Matsunaga.
- O crime ocorreu após Elize desconfiar de uma traição e contratar um detetive particular, que confirmou suas suspeitas.
- Após uma discussão acalorada, Elize disparou contra Marcos, que morreu na hora.
- Para ocultar o crime, ela esquartejou o corpo e abandonou as partes em uma rodovia em Cotia, São Paulo.
- Elize foi presa e cumpriu dez anos de pena, sendo liberada em 2022 para regime aberto, e atualmente vive em Franca, São Paulo.
Condenada por matar e esquartejar o marido em 2012, Elize faz parte da série *Tremembé*, do Prime Video, que revive os crimes cometidos pelos detentos do presídio mais famoso de São Paulo
Localizada a cerca de 130 quilômetros da capital paulista, Tremembé é uma cidade conhecida por abrigar um dos presídios mais emblemáticos do Brasil. O município ganhou notoriedade nacional por receber, ao longo dos anos, detentos envolvidos em casos de grande repercussão, que despertaram a atenção da mídia e da opinião pública, e é sobre essas histórias que a nova série do Prime Video, “Tremembé”, vem ganhando atenção no streaming. A trama tem como base dois livros-reportagem do jornalista Ullisses Campbell: *Suzane: Assassina e Manipuladora* (2020) e *Elize Matsunaga: A Mulher que Esquartejou o Marido* (2021).
O Portal Tela segue explicando os casos retratados na série. Ontem, o destaque foi [Suzane von Richthofen](https://www.portaltela.com/entretenimento/series-e-filmes/2025/11/03/tremembe-suzane-a-menina-que-matou-os-pais). Hoje, é a vez de Elize Matsunaga.
Em 2012, Elize Kitano Matsunaga foi condenada a 19 anos e 11 meses por homicídio qualificado e pelo crime de destruição e ocultação de cadáver de seu marido, Marcos Matsunaga.
A história teve início em 2004. Marcos ainda era casado quando conheceu Elize por meio de um site de relacionamentos, onde ela se apresentava como garota de programa. O caso durou três anos, até que, em 2009, ele se divorciou da antiga esposa para se casar com Elize.
Tudo parecia perfeito até meados de 2010, quando Elize, conhecendo o passado de Marcos, começou a desconfiar que estava sendo traída. Mas, no fim daquele mesmo ano, a descoberta de uma gravidez reaproximou o casal.
Nos anos seguintes, porém, o sentimento de desconfiança de Elize voltou à tona. A partir daí, as brigas e os desentendimentos passaram a fazer parte da rotina do casal.
A traição
Em maio de 2012, Elize planejava uma viagem para sua cidade natal, no Paraná. Mais uma vez desconfiada de uma possível traição, ela contratou um detetive particular para vigiar o marido enquanto estava fora. A resposta veio rápido: no mesmo dia em que embarcou, 17 de maio, Marcos jantou e passou a noite no Hotel Mercure, na Vila Olímpia, ao lado da amante. O detetive registrou tudo em fotos e informou Elize, que antecipou o retorno para o dia 19 de maio, data em que o crime aconteceu.
O crime
De volta a São Paulo, Marcos foi ao aeroporto buscar Elize, a filha do casal, de apenas um ano, e a babá. Todos chegaram em casa por volta das 18h30. Pouco depois, a babá foi dispensada, deixando apenas a família na residência. Por volta das 19h30, Marcos desceu pelo elevador para buscar uma pizza e as câmeras de segurança do prédio registraram suas últimas imagens com vida.
Elize passa a tirar satisfação com o marido, revelando a descoberta. A cada palavra, a discussão ficava mais acalorada, com insultos, ameaças e agressões. O casal tinha posse e uma coleção de armas de fogo na residência, e, ao perceber que Marcos se aproximava de uma delas, Elize correu para outro cômodo, onde sabia que havia outra arma guardada. Segundo seu depoimento à polícia, a intenção seria apenas intimidar o marido.
Armada, Elize apontou para Marcos, que mesmo diante daquilo, continuava as ofensas. A mulher disparou na cabeça do marido, que morreu na hora.
Medo da descoberta
Para não levantar suspeitas, Elize decidiu se livrar do corpo do marido. Com formação em curso técnico de enfermagem, sabia como agir: esperou o sangue coagular e iniciou o esquartejamento pelas partes com ligamentos, por serem mais fáceis de cortar.
Ela dividiu o corpo em seis partes: cabeça, braços, pernas e tórax. Colocou os pedaços em sacos de lixo e os guardou dentro de malas de viagem, para sair do prédio sem ser notada.
Na manhã de 20 de maio de 2012, Elize deixou o apartamento com três malas grandes. Pretendia ir ao Paraná, mas mudou de ideia e abandonou o corpo em uma rodovia de Cotia (SP).
O corpo foi encontrado três dias depois e, em 4 de junho, identificado como o do empresário Marcos Kitano Matsunaga. Após a análise das câmeras de segurança do prédio, Elize foi apontada como principal suspeita e acabou confessando o crime. No mesmo dia, a mulher foi presa preventivamente, direcionada ao famoso presídio de Tremembé, onde ficou por 10 anos.
Julgamento
O júri de Elize Kitano Matsunaga teve início em 28 de novembro de 2016 e terminou em 5 de dezembro do mesmo ano, com a leitura da sentença.
A acusação defendia que ela fosse condenada por homicídio qualificado, alegando motivo torpe, meio cruel e dificuldade de defesa da vítima, além dos crimes de destruição e ocultação de cadáver. A defesa sustentava que Elize agiu em legítima defesa e que o esquartejamento ocorreu depois da morte de Marcos.
O júri, formado por quatro mulheres e três homens, ouviu 16 testemunhas e a própria ré, que respondeu apenas às perguntas do juiz.
Elize foi condenada a 18 anos e 9 meses por homicídio qualificado e a 1 ano, 2 meses e 1 dia por destruição e ocultação de cadáver, totalizando 19 anos, 11 meses e 1 dia de prisão. A defesa recorreu, mas em 2018 o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a pena por decisão unânime.
Vida atual
Elize deixou a Penitenciária Feminina de Tremembé em 2022, após conquistar o direito de cumprir o restante da pena em regime aberto. Desde então, vive em Franca, no interior de São Paulo, onde precisa seguir as regras do regime: manter endereço fixo, trabalhar e não sair da cidade sem autorização da Justiça.
Nos primeiros meses de liberdade, Elize chegou a trabalhar como motorista de aplicativo. Porém, após a repercussão negativa do caso, decidiu abandonar a função e passou a se dedicar à confecção de roupas e acessórios para animais de estimação.
Matsunaga ainda convive com o fato de ser obrigada a ficar distante da filha, que hoje tem 15 anos. Desde o crime, a menina passou a viver com os avós paternos, que optaram por restringir o contato com a mãe até que ela cresça e possa entender melhor tudo o que aconteceu. O jornalista Ulisses Campbell revelou que a menina descobriu aos sete anos que a mãe havia matado o pai após ouvir a história de um colega na escola. Desde então, Elize tenta acompanhar o crescimento da filha, mas todas as suas solicitações de visita foram negadas.
Em entrevista ao UOL, Campbell também afirmou que Elize recebeu R$900 mil em bens do casal, que vivia sob o regime de comunhão parcial de bens. O restante do patrimônio ficou para a filha.
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