- O filme In The Things You Kill, do cineasta iraniano-alemã Alireza Khatami, teve a ambientação transferida do Irã para a Turquia, e gira em Ankara com o professor de literatura Ali.
- A trama acompanha Ali, abalada pela morte da mãe e pela violência do pai, cuja vida é influenciada por um hóspede misterioso que manipula os eventos.
- O longa é descrito como um thriller psicológico com olhar Lynchiano sobre poder, linguagem e masculinidade tóxica, explorando como normas patriarcais se mantêm além das fronteiras.
- Internacionalmente, o filme é a aposta do Canadá para Melhor Filme Internacional no Oscar do próximo ano, após a mudança de cenário para contornar a censura iraniana.
- O contexto histórico envolve a Turquia de Recep Tayyip Erdogan, que tem promovido valores familiares e endurecido ações contra feministas, com aumento de fatalidades associadas a femicídios no país.
Desde Toronto, o cineasta iraniano Alireza Khatami apresenta In The Things You Kill, filme que transferiu a ambientação de Irã para a Turquia. A história acompanha Ali, professor de literatura em Ankara, atormentado pela morte da mãe e pela violência do pai.
Reza, hóspede misterioso que aluga a casa ao lado, passa a manipular acontecimentos e a influenciar o entorno. A narrativa adota tom Lynchiano, explorando poder, linguagem e relações familiares sob a ótica de uma masculinidade tóxica herdada.
O filme foi selecionado pela Canadá como representante internacional para o próximo Oscar, destacando-se pela crítica como reflexão sobre patriarcado e violência de gênero. A mudança de cenário ocorreu por pressões de censura no Irã, segundo os produtores.
Contexto da produção e temas centrais
No contexto turco, o filme dialoga com o acento governamental sobre “valores familiares” e com crescentes debates sobre direitos das mulheres. Dados de 2024 indicam recorde de femicídios na Turquia, com 394 casos de feminicídio e 259 mortes atribuídas a circunstâncias suspeitas, segundo a plataforma We Will Stop Femicides.
A produção liga a trajetória de Ali a problemas sistêmicos ligados a violência e à repressão de vozes femininas. A obra levanta questões sobre como linguagem, cultura e tradições moldam a violência de gênero e as expectativas masculinas, sem adotar posição moral explícita.
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