- O filme The Secret Agent, de Kleber Mendonça Filho, acompanha Carnaval de 1977 em Recife, com um pesquisador que tenta fugir da cidade.
- A abertura mostra um cadáver esquecido e corrupção policial, estabelecendo tom crítico sobre vidas sob regime autoritário.
- A trama alterna passado da ditadura (1964–1985) com desdobramentos no presente, levantando perguntas sobre revelações e possíveis ligações a crimes do passado.
- A narrativa valoriza detalhes do cotidiano, o que ajuda a mostrar como a repressão se infiltrou na vida comum e na memória coletiva.
- O filme reforça a memória democrática regional, recebendo aclamação internacional e sendo visto como complemento a outras obras brasileiras que discutem o tema.
The Secret Agent, filme de Kleber Mendonça Filho, acompanha Carnaval de 1977 em Recife, no Nordeste. Um pesquisador tenta fugir do país enquanto ganha tempo para obter um passaporte falso. Um cadáver aparece em uma casa de posto de gasolina, durante a folia.
A cena inicial dura 15 minutos e não entrega respostas. Câmeras lentas revelam corrupção, suborno policial e omissão. A vida na cidade durante o regime autoritário é mostrada em detalhes cotidianos de maneira sutil e provocativa.
Temas e narrativa
O filme contextualiza o golpe de 1964 e a repressão no Brasil, conectando passado e presente. Dos procedimentos às brutalidades, a obra questiona o que ficou registrado oficialmente e o que permanece oculto.
Marcelo, o pesquisador, é acolhido por Dona Sebastiana. Bobbi e Borba aparecem como assassinos encomendados por Ghirotti, um industrial de São Paulo. A história alterna entre 1977 e uma linha temporal atual, com memorias em fita que reaparecem.
A investigação parece não ter desfecho: a motivação de Ghirotti e o destino da mulher de Marcelo, Fátima, ficam em aberto. Essa fratura narrativa reforça a ideia de que documentos não contam tudo sobre o regime.
O filme enfatiza detalhes de Recife, do cotidiano aos ruídos da cidade, para mostrar como o autoritarismo penetra a vida comum. A montagem propõe uma leitura reflexiva sobre memória, verdade e justiça, sem oferecer soluções fáceis.
The Secret Agent já recebe aclamação internacional e dialoga com a outra produção brasileira do ano, I’m Still Here. Juntas, apresentam uma visão mais complexa do passado, explorando a relação entre memória coletiva e vivências individuais.
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