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Frase “Que Deus os condene a todos” gera debate público

Crítico analisa como a ficção convive com a desinformação na era da pós-verdade, defendendo pontes entre narrativas para promover o diálogo

Em Planeta dos Macacos, Heston descobre a verdade no fim. Bugonia, roteiro revisitado por Lanthimos, explora e disseca as teorias conspiratórias – Imagem: 20th Century Studios e Focus Features
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  • Bugonia (2025), dirigido por Yorgos Lanthimos, é uma sátira que coloca teorias conspiratórias—reptilianos, terra plana e pós-verdade—em funcionamento, evidenciando a normalização do absurdo. Publicado na edição de CartaCapital em 31 de dezembro de 2025.
  • O texto relaciona esse cinema com a realidade atual, questionando como a ficção pode competir com a ficção do mundo real.
  • Defende pontes entre narrativas e entre bolhas, para que haja diálogo entre lados opostos, em vez de isolamento ideológico.
  • Cita Achille Mbembe e o conceito de futuro negro e necropolítica, destacando a urgência de pensar o cinema e a violência estatal no contexto contemporâneo.
  • Afirma que o audiovisual pode promover compreensão entre perspectivas distintas, mantendo a fabulação como guia e sinalizando a importância de abrir caminhos de diálogo.

O texto em análise foi escrito por um cineasta e roteirista brasileiro, utilizado como narrativa de reflexão sobre o papel do cinema diante da ficção que se confunde com a realidade. Publicado na edição 1394 de CartaCapital, em 31 de dezembro de 2025, o escrito aborda a construção de narrativas, a emergência de teorias conspiratórias e a necessidade de pontes entre diferentes perspectivas.

O autor descreve como obras históricas de ficção científica passaram a dialogar com o mundo contemporâneo, trazendo exemplos de filmes que tratam de catástrofes, pandemias e escassez de recursos. Ao fundamentar sua análise, ele cita o filme Bugonia (2025) de Yorgos Lanthimos, que, segundo o texto, satiriza teorias conspiratórias que já existem no cotidiano, como reptilianos, terra plana e pós-verdade, apresentando-as de forma estruturada.

A partir dessa leitura, o autor questiona como cineastas podem competir com a ficção produzida pela própria realidade. O ensaio propõe a ideia de que a indústria precisa de pontes entre narrativas e públicos, para favorecer o diálogo entre lados opostos e evitar o retraimento ideológico em bolhas.

O texto também aborda a visão de pensadores negros sobre o futuro, destacando Achille Mbembe e a noção de necropolítica, que descreve decisões administrativas que afetam a sobrevivência de grupos específicos. O autor sustenta que esse tema impõe urgência na construção de narrativas que inclinam o foco para a vida e a dignidade de comunidades negras.

Ainda segundo o artigo, uma experiência prática de produção envolve um diálogo entre públicos distintos. O cineasta cita um episódio de Anderson Spider Silva (2023), série que ele escreveu, como exemplo de como a dramaturgia pode provocar leitura crítica de temas como racismo sem simplificações, desde que haja empatia e contexto.

Ao concluir, o autor reafirma a importância do audiovisual como ferramenta de compreensão mútua. Em vez de impor verdades, o texto defende a criação de pontes que permitam a travessia entre diferentes perspectivas, mantendo a neutralidade e o respeito. A obra encerra com referências à figura de Exu, para simbolizar a circulação de caminhos e a abertura ao diálogo.

A publicação, de acordo com a nota de edição, não representa apenas uma visão pessoal, mas um convite para refletir sobre o papel do cinema na relação entre ficção e realidade. O texto aparece como parte da edição impressa de CartaCapital, sob o título associado ao discurso central do autor.

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