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Cineastas da Groenlândia prontos para contar suas próprias histórias

Cinema groenlandês avança com o novo instituto de cinema, ampliando financiamento e buscando reconhecimento internacional para contar histórias próprias

Documentarian Nina Paninnguaq (left) and Ruth, a subject of the film *Walls - Akinni Inuk*, walk in Nuuk, Greenland, in an undated photo.
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  • Greenlanders estão fortalecendo uma comunidade de cinema para contar histórias locais, com a criação de um Greenlandic Film Institute (instituto de cinema da Groenlândia) previsto para começar operações em janeiro.
  • Angunnguaq Larsen, ator e técnico de som, é uma figura central enquanto a indústria busca sustentar carreiras locais à medida que os filmes ganham espaço.
  • Walls – Akinni Inuk foi selecionado como representing de Groenlândia ao Oscar de Melhor Filme Internacional de 2026; o documentário acompanha oito anos na vida de uma mulher encarcerada em Nuuk.
  • Existe debate sobre o que caracteriza um filme groenlandês devido à parceria com a Dinamarca, e o instituto pretende padronizar critérios e ampliar financiamento internacional.
  • A ideia de “narrativa soberana” inspira o movimento, similar ao exemplo dos sami, com foco em ampliar a visibilidade, atrair locações no território e impulsionar talentos locais.

Angunnguaq Larsen atua como técnico de som e enfrenta a construção de uma cena para o Aasapalaaq Festival, em Nuuk, capital da Groenlândia. O evento acontece no final de agosto, quando o tempo firme facilita atividades ao ar livre. Funciona como vitrine cultural local.

Ao longo do festival, grupos locais vendem bebidas quentes e a animação infantil toma as praças. No fim de tarde, artistas sobem ao palco principal para apresentações que encerram o dia com a participação do público.

Larsen é figura conhecida na cena: atua como técnico de som, professor de música e já atuou como ator em filmes que marcaram a produção local. Em obras como Nuummioq, ele ganhou reconhecimento internacional ao longo dos anos.

Ao lado dele, a Groenlândia tem ganhado espaço como cenário para produções próprias. A ideia central é ampliar a voz da ilha, reduzindo a dependência de projetos realizados por cineastas de fora.

A comunidade de cinema local ainda se autodenomina um grupo de produtores e entusiastas, mas a profissionalização avança. Em janeiro, deve funcionar um novo instituto de cinema, com orçamento e estrutura propios.

Novo instituto e Oscars

A Groenlândia enviou pela terceira vez uma produção ao Oscar de melhor filme internacional, sendo Walls – Akinni Inuk a escolhida para representação neste ano. A obra é um documentário produzido ao longo de oito anos.

O filme é dirigido por uma dupla, com participação de uma cineasta dinamarquesa e uma Greenlander, definindo as regras para classificação de filmografia local. A definição leva em conta onde a maior parte da produção ocorreu.

Entre os desafios, permanece a cooperação com a Dinamarca, já comum na indústria. O objetivo é ampliar a participação de talentos groenlandeses nos bastidores e ao longo de toda a cadeia de produção.

Financiamento e cooperação internacional

O lançamento de White Gold of Greenland, em 2025, reacende debates sobre lucros de operações de mineração na ilha. O filme provocou discussões sobre exploração colonial e impactos econômicos para Groenlândia e Dinamarca.

Especialistas avaliam que novas parcerias podem ampliar o financiamento de filmes locais. A Groenlândia trabalha para criar um fundo de cinema próprio e consolidar políticas de apoio à produção e à territorialidade da audiência.

Film.GL reforça a necessidade de maior autonomia em decisões criativas. A organização aponta que a participação de Greenlanders nos processos decisórios é essencial para moldar narrativas locais.

Olhar para o futuro

A expectativa é de que o Instituto de Cinema Groenlandês, ao entrar em operação, formalize um ecossistema de apoio à produção, com financiamento e fomento à captação de locações. A meta é atrair projetos internacionais para filmar na ilha.

O objetivo é equilibrar a presença de talento local e a participação de equipes externas, garantindo que as histórias da Groenlândia sejam contadas por quem vive lá. A comunidade cinematográfica busca ampliar a soberania narrativa.

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