- Coordenadores de intimidade (ICs) estão no centro de debates após o #MeToo: alguns veem como proteção, outros como “polícia do sexo” que atrapalha a arte.
- Adelaide Waldrop,IC, relata ser alvo de perguntas constrangedoras e comenta que o papel vai além de orientar falas entre cenas; envolve planejamento, avaliações de risco e uso de roupas de modéstia.
- O trabalho costuma começar com a desmontagem das cenas sensuais no roteiro e discussões confidenciais com equipe e atores para traçar um plano claro antes das filmagens.
- Nos Estados Unidos, há atuação sindical com a Sag-Aftra; no Reino Unido, existe um registro para ICs sob a Bectu, com exigência de treinamento e créditos em pelo menos cinco produções.
- A repercussão pública é vista como prejudicial por alguns profissionais, que defendem que há necessidade de nuance e segurança, permitindo que histórias íntimas sejam contadas com responsabilidade.
O tema da coordenação de intimidade no cinema voltou a ganhar manchetes após debates sobre o papel, com críticas de figuras públicas e o reconhecimento de organizações da indústria. Coordenações de intimidade são profissionais que planejam cenas sensuais para reduzir riscos e assegurar consentimento, antes das filmagens.
Para alguns, elas representam uma proteção aos envolvidos e input criativo importante, especialmente em ações pós #MeToo. Nomes de peso do cinema já defenderam a prática, enquanto críticos a veem como freio à liberdade criativa em determinadas obras.
Ainda assim, a função tem gerado controvérsia. Algumas personalidades pediram para reduzir a presença dessas coordenadoras em certos projetos, de modo a não frear a produção. Outros destacam que o trabalho pode evitar surpresas durante as cenas.
A prática tem raízes em décadas anteriores, com profissionais atuando nos bastidores de filmes sensuais. O uso ganhou força após o movimento #MeToo, levando a uma profissionalização e a acordos formais em sindicatos no exterior.
No Brasil, a função ainda não tem regulamentação formal, mas já é discutida com base em padrões internacionais. Em geral, a atuação envolve desmontar cenas, conversas confidenciais com elenco e equipe e elaboração de planos de intimidade antes das gravações.
Entre as responsabilidades estão avaliações de risco, controle de sets fechados e fornecimento de peças de vestuário que preservem a modéstia. O objetivo não é saúde mental, mas promover transparência e consentimento contínuo de todos os envolvidos.
Profissionais ouvidos dizem que a função foi mal compreendida em parte por foco excessivo na polêmica. Alguns afirmam que, quando bem aplicada, facilita narrativas mais nuançadas de intimidade na tela e evita que theatros de bastidores venha a prejudicar o set.
O que esperam os coordenadores é que o interesse pelo tema se estabilize. Para eles, um bom trabalho fica invisível na prática: tudo já definido previamente, e a equipe continua a filmar sem interrupções.
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