- A edição de 2025 da Singapore Biennale, intitulada Pure Intention, reúne mais de cem obras distribuídas por cinco bairros de Singapura, com obras em shoppings, Tanglin Halt, Fort Canning Park e outros espaços.
- A obra Drifting Bodies (2025), de field-0, é apresentada em um prédio colonial e mistura vídeo da cascata interna do Jewel Changi Airport com imagens da represa Vajiralongkorn, ligando hidrelétricas transnacionais e o deslocamento da comunidade Karen na Tailândia.
- A curadoria destaca temas como resistência, ecologia, colonialismo e sistemas invisíveis, buscando mostrar que a intenção nem sempre explica tudo e que há efeitos colaterais.
- Entre as obras, estão Under Discussion (2004), de Allora & Calzadilla, e Seaweed Story (2022) da ikkibawiKrrr, que conectam narrativas locais a contextos marítimos e de comunidades idosas.
- A participação envolve ações comunitárias, como workshops com trabalhadores domésticos filipinos promovidos por Eisa Jocson em parceria com a organização HOME, além de intervenções em espaços públicos para fomentar diálogo com as realidades do cotidiano.
A Bienal de Singapura leva arte para o tecido urbano da cidade neste ano, com a edição Pure Intention distribuída por mais de cinco bairros. A mostra reúne mais de 100 obras em espaços diversos, de shoppings a antigos conjuntos habitacionais, com curadoria de Selene Yap ao lado de Hsu Fang-Tze, Ong Puay Khim e Duncan Bass. O projeto é promovido pelo Singapore Art Museum (SAM) e encomendado pelo National Arts Council.
Entre as peças, destaca-se Drifting Bodies (2025), do duo de arquitetura field-0, instalado em um prédio de época colonial. A obra projeta um vídeo da maior cachoeira indoor do mundo, no Jewel Changi Airport, em cortinas brancas que ocultam uma sala escura. O público repousa em um colchão no piso, cercado por imagens do dique Vajiralongkorn, na Tailândia.
O trabalho busca mostrar que a intenção não esgota o tema, segundo Yap. A instalação revela como a importação de energia hidrelétrica envolve infraestrutura transnacional e desloca comunidades, incluindo a Tribo Karen da Tailândia, que vive, em parte, em casas flutuantes no reservatório. A curadoria enfatiza narrativas pessoais por trás de sistemas complexos.
Panorama e locais
A curadoria articulou uma experiência que transita por shoppings, Tanglin Halt e Fort Canning Park, conectando espaços populares a histórias de resistência, ecologia e colonialismo. O conjunto propõe uma leitura menos linear, com temas que vão desde controle invisível até lutas locais, passando por questões de identidade e lugar.
As obras na cluster de Wessex Estate emergem como o ponto mais contundente, ao reunir narrativas marítimas e comunidades insulares diante de deslocamentos. Outras peças mantêm o foco em processos históricos e políticas de soberania, sem perder o viés social das ações artísticas.
Intervenções locais e participação comunitária
A exposição também incorpora ações de comunidade. O projeto de Eisa Jocson com a organização HOME realiza oficinas para trabalhadores domésticos filipinos, resultando em videoclipes exibidos em uma loja do Lucky Plaza. A proposta destaca a dignidade das trabalhadoras migrantes e amplia o alcance da mostra.
Outra instalação relevante coloca a temática do patrimônio histórico em diálogo com o cotidiano urbano, ao aproximar o público de espaços como a escola Raffles Girls’ e obras de Kei Imazu sobre a ocupação japonesa na Indonésia, fortalecendo a ligação entre arte, memória e território.
Observações sobre o formato e alcance da Bienal
A edição de Pure Intention busca descentralizar a experiência, distribuindo obras por centros culturais e espaços comunitários. Apesar de pontos fortes em alguns locais, há avaliações de que, em outros espaços institucionais, o impacto possa não ser tão acentuado quanto o desejado. A iniciativa destaca a circulação de arte como ferramenta de cidade para estimular diálogo sobre passado, presente e possíveis caminhos futuros.
Entre na conversa da comunidade