- Bangladesh se prepara para eleição geral em três semanas, a primeira desde 2008, em meio a um cenário pós‑revólta.
- O festival internacional de fotografia Chobi Mela, em Dhaka, reúne artistas do sul global para discutir o que significa reconstruir a sociedade após rupturas políticas.
- O Monsoon Revolution de 2024 foi o momento mais dramático; o evento teve datas remarcadas três vezes por questões políticas, mesmo diante da violência contra artes e mídia.
- Exposições promovem diálogos entre artistas internacionais e locais, buscando imaginar uma Sul‑asiá unificada sem se prender a fronteiras nacionais.
- Mostras como “But a Wound that Fights” e “If the Land Could Speak” tratam de guerra, deslocamento, terras e mudanças climáticas, reunindo obras de Bangladeshi e outros contextos.
A fotografia brasileira e sul-asiática voltam a se encontrar em Dhaka, no Bangladesh, em meio a um contexto político conturbado. O 11º Chobi Mela, festival internacional de fotografia, reabre seus espaços enquanto o país se prepara para as eleições gerais, previstas em três semanas. O evento, que reúne artistas do Sul Global, questiona como reconstruir a sociedade após anos de rupturas.
O festival acontece em Dhaka e envolve exposições temáticas e trabalhos solo de fotógrafos internacionais e locais. Munem Wasif, fotógrafo e curador, atua como organizador principal e afirma que o momento exige reflexão sobre revolução, erro histórico e renovação social. A programação circula por diversos espaços da região central da cidade.
A edição acontece em um contexto de violência contra artes e mídia, com ataques ocorridos em dezembro que provocaram condenação internacional. Mesmo assim, Wasif reforça que não é hora de isolamento; a mostra busca discutir o tempo atual e a necessidade de solidariedade regional para promover mudanças.
Entre os destaques, Bani Abidi, artista paquistanesa, apresenta uma série de fotografias de 2021 que criticam a autoridade masculina, e conduz uma oficina sobre prática artística. Abidi destaca que diálogos entre artistas de diferentes partes da região ajudam a criar uma visão sul-asiática mais ampla, menos centrada em nação-estado, mas fortemente enraizada na realidade local.
Outra produção amplia o alcance de temas como resistência e sofrimento humano. A exposição But a Wound that Fights traz a experiência de guerras e deslocamentos, destacando obras de artistas de Bangladesh e da região. A curadoria busca quebrar fronteiras nacionais para enfatizar a vulnerabilidade comum.
Ainda há uma mostra que conecta ecologia e opressão, com foco em disputas de terras no México, Karachi e nas comunidades ribeirinhas do Bangladesh. O conjunto reúne imagens de populações indígenas locais, de Bangladesh, e de outras regiões afetadas por conflitos ambientais, enfatizando a ligação entre território, povos e resistência.
A fotógrafa Mrittika Gain, de Bangladesh, integra o conjunto com registros de comunidades que enfrentam mudanças climáticas e ocupação de terras. Gain também comenta sobre a sensação de maior liberdade aliada a menor segurança, experiência compartilhada por muitos artistas do sul global presentes no festival.
O Chobi Mela pretende ampliar círculos de diálogo entre artistas de diferentes origens e realçar temas de empatia, resistência e memória histórica. A curadoria ressalta que, diante de tensões externas, é fundamental retornar às memórias locais para compreender os desdobramentos regionais.
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