- O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, concorre a quatro categorias no Oscar e trata do uso do poder para esmagar as pessoas.
- Mendonça Filho afirma que a cultura foi extinta no Brasil durante o governo Bolsonaro e que o setor voltou a ganhar fôlego com a eleição de Lula.
- O diretor diz que as histórias sobre regimes autoritários têm apelo universal e que o filme conversa com a realidade brasileira recente.
- Nos Estados Unidos, a recepção ao filme é forte, com identificação de parte do público com a narrativa em um contexto de críticas a liberdades.
- Wagner Moura participa pela primeira vez de uma produção do diretor, gerando expectativa de reconhecimento no Oscar.
O Agente Secreto está entre os indicados ao Oscar em quatro categorias, impulsionando a repercussão internacional da película de Kleber Mendonça Filho. O diretor concedeu entrevista por telefone à AFP, em Recife, cidade onde nasceu.
O filme aborda o uso do poder para esmagar as pessoas, tema central que dialoga com a história da ditadura militar brasileira. Mendonça Filho afirma que a cultura brasileira chegou a ser extinta durante o governo de Jair Bolsonaro.
O cineasta aponta que a volta de Lula ao poder, em 2023, ajudou a recolocar o Brasil no mapa cultural. Ele atribui o atual momento de reconhecimento à combinação de apoio institucional e propostas estáveis de financiamento à cultura.
Wagner Moura atua no filme como professor universitário, personagem que ganha destaque na trajetória para o Oscar de Melhor Ator. O filme tem sido citado entre as obras nacionais mais comentadas no exterior.
Contexto internacional
Mendonça Filho comenta a receptividade nos Estados Unidos, onde a crítica tem respondido de modo contundente. Segundo ele, a temática universal da obra facilita a identificação do público com a história retratada.
Ele observa que, apesar do momento político interno, o filme dialoga com dilemas globais sobre poder, ética e repressão. A produção já recebeu reconhecimento em premiações internacionais.
O diretor ressalta que, embora não encare o cinema como instrumento de resistência, a arte pode contribuir para uma compreensão mais ampla da sociedade. O objetivo é contar uma história honesta e bem elaborada.
O Agente Secreto, assim, segue ocupando espaço de debate entre público e imprensa, ao lado de outras obras que tratam da ditadura brasileira. A produção completa seu ciclo de divulgação em busca do reconhecimento no Oscar.
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