- O premiado diretor Gabriel Villela reinventa Medeia a partir de Sêneca, com traços de brasilidade, e estreia no Sesc Consolação, em São Paulo, na sexta-feira 29.
- A tradução escolhida é de Ricardo Duarte, publicada pelas Edições 70.
- Três atrizes interpretam Medeia em momentos diferentes: Rosana Stavis (auge da fúria), Mariana Muniz (feitiçaria) e Walderez de Barros (maturidade).
- Villela monta o elenco pela habilidade vocal dos intérpretes, afirmando que escolhe a palavra ao selecionar os atores.
- O cenário, assinado por José Carlos Serroni, mescla referências gregas com elementos do circo-teatro, usando cabaças mineiras como recurso acústico.
Gabriel Villela apresenta Medeia, texto de Sêneca, com versão brasileira na montagem que estreia nesta sexta-feira, 29, no Sesc Consolação, em São Paulo. O elenco traz três atrizes para encarnar a protagonista, ressaltando momentos distintos da personagem. A encenação aposta em uma leitura estoica do mito e na brasilidade cênica.
O diretor, premiado pela trajetória no teatro, reuniu referências barrocas e uma linguagem brasileira para a concepção. Villela já dirigiu obras de Shakespeare, Pirandello, Beckett e Nelson Rodrigues, sempre com foco na teatralidade e na estética híbrida.
A escolha da dramaturgia veio acompanhada de uma decisão estética: a palavra em português de Ricardo Duarte, traduzida para um tom sisudo. O processo de montagem priorizou a força vocal dos intérpretes na formação do elenco.
Sobre a encenação
O cenário, assinado por José Carlos Serroni, mistura referências gregas com elementos de circo-teatro. Vasos de barro e cabaças mineiras reforçam a ideia de acústica teatral antiga, com o coro voltado para o interior dos recipientes para projetar a voz.
Sobre a concepção artística
Medeia aparece em três fases: fúria em Corinto, feitiçaria na preparação de venenos e maturidade no retorno à cidade natal. A leitura de Sêneca enfatiza emoções desmedidas, em contraste com a racionalidade tão presente nas tragédias gregas.
Villela explica que o estoicismo domina o texto, com solilóquios que exploram o controle emocional. A peça é tratada como um espelho da atualidade, refletindo governos autoritários e crises políticas por meio da figura trágica.
O diretor também relembra a infância mineira como parte da poética cênica. O ateliê usado para os figurinos, no espaço Vila Ouro Preto, produziu 27 vestuários que integram memória e materiais locais.
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