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Festival de Berlim defende Wim Wenders após críticas de Arundhati Roy

Festival defende cineastas e rejeita leitura que restringe expressão artística após Arundhati Roy abandonar Berlinale por comentário político

Wim Wenders’s comments were described by Arundhati Roy as ‘jaw-dropping’. Composite: Alamy, Getty
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  • O Berlinale emitiu uma defesa aos cineastas, especialmente à sua presidência de júri, após críticas envolvendo Wim Wenders por declarações sobre não se deixar levar pela política.
  • Wenders afirmou que filmes podem mudar o mundo, mas não de forma política, sugerindo que cineastas devem ficar fora da política durante entrevista de abertura.
  • A escritora Arundhati Roy retirou-se do festival em resposta às declarações, classificando-as como inconcebíveis e afirmando que a frase desvia o debate sobre crimes contra a humanidade.
  • A diretora do festival, Tricia Tuttle, afirmou que artistas devem ter liberdade de expressão e não são obrigados a comentar todos os temas políticos apresentados durante o evento.
  • O festival ressaltou que perguntas políticas dominaram as manchetes e que há uma defesa da liberdade criativa dos artistas, destacando que o contesto das conversas não deve ser tomado fora de contexto.

O Berlin Film Festival, conhecido como Berlinale, divulgou uma nota extensa de defesa aos cineastas, especialmente ao presidente do júri, Wim Wenders, em meio a uma pressão midiática nos primeiros dias do evento. A resposta ressalta o valor dos artistas e o papel da imprensa na cobertura. O documento enfatiza que as declarações de Wenders sobre política foram retiradas de contexto.

Wenders afirmou que filmes podem mudar o mundo, mas não de forma política, e que cineastas devem permanecer fora da política. A fala gerou críticas entre setores da indústria e do público, reacendendo o debate sobre o alcance da arte na esfera pública. Um produtor polonês também comentou que o apoio do governo alemão a Israel foi questionado de forma complicada.

Reação e desdobramentos

Na sexta-feira, a escritora indiana Arundhati Roy deixou o Berlinale, criticando as observações do júri como inconscientes e alertando sobre o alcance global de tais falas. Roy disse que a ideia de que a arte não deve ser política impede discussões sobre crimes contra a humanidade.

No sábado, a diretora do festival, Tricia Tuttle, respondeu aos questionamentos sobre a pressão sobre artistas para comentar temas sociais. Tuttle afirmou que artistas são livres para escolher como se manifestar e que não devem ser obrigados a falar sobre todas as controvérsias associadas ao festival.

Um porta-voz do Berlinale destacou que as perguntas sobre política foram intensas nos últimos dias e que as declarações foram tiradas do contexto e da trajetória de trabalho dos artistas. O festival reforçou o compromisso com a defesa de artistas e da integridade da programação, destacando que a pauta artística não depende do entendimento político de terceiros.

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