- Mais de oitenta autores, diretores e artistas que já participaram do Berlinale assinaram uma carta aberta aos organizadores, publicada nesta terça, pedindo posição clara sobre a guerra de Israel em Gaza.
- Entre os signatários estão Tilda Swinton, Javier Bardem, além de Adam McKay, Alia Shawkat e Brian Cox; o texto acusa o Berlinale de silenciar a questão.
- A carta afirma que o festival deve se posicionar contra o que descreve como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra contra os palestinos, e reitera o direito dos artistas de falar sobre o assunto.
- O festival não respondeu oficialmente até o momento; o Berlinale é apresentado como o festival mais político, apesar de críticas anteriores por não se posicionar sobre Gaza.
- O documento também comenta as declarações do presidente do júri, Wim Wenders, sobre artistas não se envolverem em política, o que levou Arundhati Roy a deixar o festival; Tricia Tuttle defendeu a liberdade de expressão.
Mais de 80 ex-participantes do Berlin Film Festival, entre atores, diretores e artistas, assinaram uma carta aberta publicada nesta terça-feira, pedindo posição clara dos organizadores diante da guerra em Gaza. Entre os signatários estão Tilda Swinton e Javier Bardem.
A carta, divulgada na revista da indústria Variety, chama o Berlinale para cumprir seu papel moral e se posicionar explicitamente contra o que descrevem como genitúdio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra contra palestinos. Também endereça críticas à posição institucional do festival frente ao conflito.
Os signatários afirmam estar pasmados com o silêncio institucional do Berlinale e defendem o direito dos artistas de falar sobre o tema. Além de Swinton e Bardem, assinam Adam McKay, Alia Shawkat e Brian Cox, entre outros, incluindo o cineasta Mike Leigh.
A iniciativa ocorre em meio a debates sobre o papel da indústria do entretenimento em posições políticas. O Berlinale já foi alvo de críticas de ativistas pró-palestinos por não se posicionar explicitamente sobre Gaza, diferentemente de temas como a guerra na Ucrânia.
O documento também critica declarações do presidente do júri deste ano, o cineasta alemão Wim Wenders, que defenderam que cineastas deveriam permanecer fora da política. A reação levou a que a escritora Arundhati Roy, vencedora do Booker, se retirasse do festival.
O festival não respondeu de imediato a um pedido de comentário enviado por meio eletrônico. Três parágrafos seguintes trazem contextualizações sobre o histórico do Berlinale como festival tido como o mais político entre seus pares, Venice e Cannes.
Em resposta, a representante do Berlinale, a diretora Tricia Tuttle, publicou nota defendendo a liberdade de expressão dos artistas e destacando que cada um pode escolher se comentará questões políticas, sob perspectiva institucional.
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