- “Kokuho”, dirigido por Lee Sang-il, é um drama histórico sobre identidade nacional no Japão dos anos sessenta, ambientado no mundo do Kabuki.
- O enredo acompanha Kikuo, herdeiro de uma gangue yakuza de Nagasaki, que vai morar com a família Hanai para se tornar ator de Kabuki, disputando reconhecimento com o herdeiro Hanjiro, Shunsuke.
- O filme aborda o dilema entre tradição e mudança, refletindo dilemas contemporâneos do país e a visão de outsiders e insiders dentro de uma sociedade em transformação.
- Lançado como uma das maiores bilheterias do cinema japonês, o longa é elogiado pela linguagem visual e atuações, destacando a direção de fotografia de Sofian El Fani.
- Observações críticas mencionam falhas na representação feminina e ressaltam que o desfecho questiona se tornar “tesouro nacional vivo” compensa perder parte da própria humanidade.
O filme Kokuho, dirigido por Lee Sang-il, aborda a crise de identidade no Japão contemporâneo. A obra, baseada no romance de Shuichi Yoshida de 2018, tornou-se a maior bilheteria de live action japonesa de todos os tempos. O lançamento atraiu público de várias idades, com boca a boca impulsionando a reputação.
A trama se passa nos anos 1960, em Nagasaki e Osaka, e acompanha Kikuo, herdeiro de uma família yakuza, que perde tudo após o assassinato do pai. Ele migra para a casa Hanai para treinar como ator de Kabuki, convivendo com o herdeiro Shunsuke e servindo de elo entre tradição e mudança.
Aspectos visuais e atuação
A linguagem visual é marcante, com fotografia de Sofian El Fani que destaca cores e movimentos do Kabuki. O elenco inclui Ken Watanabe como Hanjiro, e os jovens Ryo Yoshizawa e Ryusei Yokohama, que se dedicaram a meses de prática em Kabuki para as interpretações.
Temas de identidade e tradição
A narrativa explora o insider e o outsider, a busca por pertencimento e o peso da tradição frente à mudança. O filme acompanha décadas, desde o pós-guerra até os anos 2010, retratando transformações culturais e econômicas do país. A obra encerra com a noção de “tesouro vivo” sem apelar para soluções simplistas sobre identidade.
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