- O filme iraquiano La tarta del presidente, de Hasan Hadi, mostra Lamia e sua avó vivendo na pobreza sob a ditadura de Saddam Husein.
- A narrativa se passa entre a primeira guerra do Golfo de 1991 e a invasão de 2003, período em que chiítas foram massacrados e escolas promoviam lealdade ao líder.
- Todo ano, o país celebra o aniversário de Saddam; Lamia precisa entregar uma torta na escola, enfrentando dificuldades para conseguir ovos, açúcar e farinha.
- Após a queda do ditador, foram encontradas fosas comuns e surgiu a Casa dos Desaparecidos, para consultar arquivos da polícia política Mujabarat.
- A invasão desencadeou uma guerra civil que deixou um milhão de mortos entre sunitas e xiitas; o texto aponta que mais violência não resolve os problemas.
En 2003, a queda de Saddam Hussein, após a invasão liderada pelos Estados Unidos, abriu o caminho para uma guerra civil sangrenta na região. A derrubada do regime não significou paz imediata: ao longo dos anos seguintes, o conflito entre comunicações sectárias e disputas políticas mergulhou o país em violência prolongada.
A invasão revelou fossas comuns em várias regiões do Iraque e levou à criação da Casa dos Desaparecidos em Bagdá, que recebia milhares de mulheres em busca de informações sobre familiares sumidos. As autoridades apontaram a rede de repressão da polícia política Mujabarat como responsável por dezenas de milhares de mortes e desaparções.
Entre 2003 e 2006, o Iraque enfrentou uma escalada de violência sectária que resultou em cerca de um milhão de mortos, segundo estimativas de organizações internacionais. A luta entre sunitas e xiitas agravou o sofrimento da população civil, que ficou à mercê de represálias, denúncias e violência generalizada. Em meio a esse cenário, denúncias de massacres e abusos marcaram o período pós-invasão.
Contexto cultural e documental
O cinema iraquiano contemporâneo passou a retratar esse período de brutalidade e sobrevivência. A produção *La tarta del presidente*, de Hasan Hadi, é apresentada como um retrato de Lamia, uma menina que vive na pobreza sob o regime de Saddam Hussein. O filme aborda as dificuldades de obtenção de itens básicos ao longo de anos de sanções e controle estatal.
A narrativa também destaca a vida de Lamia sem o apoio do pai, em meio a uma sociedade onde o medo permeia a educação e a vida cotidiana. O conjunto de relatos históricos descrito no filme dialoga com registros de abusos, execuções e desaparecimentos ocorridos durante o regime e o período subsequente.
A história retrata ainda o fim do regime como uma etapa que, embora encerrasse o governo de um ditador, não ofereceu solução rápida para a violência institucionalizada. A transição foi marcada por investigações sobre repressão, o surgimento de denúncias e a continuidade de tensões que persistem no cenário regional.
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