- MITsp 11ª edição acontece em são paulo entre 6 e 15 de março, com foco maior no texto em vez do movimento ou dança.
- Cinco dos seis espetáculos estrangeiros apresentam relatos em primeira pessoa baseados em vivências reais, com apenas um adaptando uma narrativa literária autobiográfica.
- Destaque para Do Lado de Cá, solo de Dieudonné Niangouna; A Carta, de Milo Rau; História da Violência e Quem Matou o Meu Pai, ambos dirigidos por Thomas Ostermeier; e Vigiada e Punida, de Philippe Cyr, que aborda linchamento digital com Safia Nolin.
- Três Estações e Um Corpo, de Mohammed Al Qudwa, encerra o ciclo com abertura de processo; todos exploram a palavra em cena, em diferentes formatos cênicos.
- A programação também inclui espaços para ações formativas, lançamentos de livros, debates e encontros entre artistas e público.
No palco, em primeira pessoa, a MITsp 11ª edição traz trabalhos estrangeiros que revelam relatos diretos dos artistas. Ao todo, cinco das seis peças convidadas são fundamentadas em vivências pessoais contadas na primeira pessoa. A mostra ocorre em São Paulo entre 6 e 15 de março, ocupando palcos e espaços culturais da cidade.
A curadoria de Antonio Araújo aponta para um recorte centrado na palavra e na trajetória individual dos criadores. A ideia é privilegiar textos de autoria, para além da dança ou do movimento que marcaram edições anteriores, ampliando o papel do discurso em cena.
Na programação, Dieudonné Niangouna apresenta Do Lado de Cá, solo em que o autor recria a trajetória de um diretor africano perseguido, exilado e em busca de espaço para a arte. Niangouna já esteve na MITsp em 2019 com Alicerce das Vertigens, mas não veio ao Brasil naquela ocasião por questões de visto.
A Carta, de Milo Rau, une as vivências de Olga Mouak e Arne De Tremerie a memórias familiares e referências do teatro e da história. A obra utiliza uma dramaturgia que mescla relatos pessoais com nomes de figuras célebres, mantendo o foco no texto como núcleo cênico.
Outra linha destacada é Vigiada e Punida, montagem canadense dirigida por Philippe Cyr. O show utiliza o formato musical para tratar do linchamento digital contra a cantora Safia Nolin, abordando misoginia, racismo e assédio nas redes sociais, com a participação da artista em canções autorais.
Ainda em foco, o monólogo Três Estações e Um Corpo, assinado pela palestino Mohammed Al Qudwa e dirigido por Martha Kiss Perrone, fecha o núcleo internacional em estágio de abertura de processo. A obra aborda exílio, guerra e memória a partir de experiências vividas pelo performer em Gaza.
A primeira parte da MITsp 2026 já confirma o eixo de obras que unem literatura, memória e prática teatral em formatos de fala direta. A programação completa contempla espetáculos nacionais, ações formativas, lançamentos de livros e debates com os artistas convidados.
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