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Frankenstein: saiba mais sobre o filme que disputa Melhor Filme no Oscar de 2026

Adaptação de Guillermo del Toro soma nove indicações e aparece entre os concorrentes da principal categoria.

Foto: Divulgação/Netflix

No próximo domingo (15) o público vai conhecer o vencedor de Melhor Filme da 98ª edição do Oscar, a principal premiação do cinema mundial. Entre os indicados está Frankenstein, dirigido por Guillermo del Toro. O filme recebeu nove indicações, incluindo Melhor Filme, roteiro adaptado, fotografia, figurino, maquiagem e penteado, trilha sonora original, direção de arte […]

No próximo domingo (15) o público vai conhecer o vencedor de Melhor Filme da 98ª edição do Oscar, a principal premiação do cinema mundial. Entre os indicados está Frankenstein, dirigido por Guillermo del Toro.

O filme recebeu nove indicações, incluindo Melhor Filme, roteiro adaptado, fotografia, figurino, maquiagem e penteado, trilha sonora original, direção de arte e som, além de uma indicação para Jacob Elordi como ator coadjuvante. 

A força da produção dentro da Academia se explica, sobretudo, pela escala visual do projeto, pela direção de arte construída em detalhes e pela forma como del Toro transforma um clássico do horror em um drama gótico sobre rejeição, paternidade e perdão.

Qual é o enredo de Frankenstein?

O filme é uma adaptação do romance de Mary Shelley e reimagina a história de Victor Frankenstein, um cientista brilhante e egocêntrico que decide criar vida a partir da morte. A narrativa percorre uma Europa do século 19 marcada por laboratórios, cidades sombrias e paisagens congeladas, com passagens por Edimburgo e pelo Ártico.

A história acompanha Victor desde a juventude, quando perdas familiares e a convivência com um pai autoritário ajudam a moldar sua obsessão por vencer a morte. 

Na leitura de del Toro, esse trauma pessoal pesa para explicar como a ambição científica do protagonista nasce misturada a ressentimento, orgulho e desejo de controle.

Com experimentos elétricos e restos humanos reunidos de forma brutal, Victor dá origem à Criatura, interpretada por Jacob Elordi. Mas, em vez de celebrar o feito, ele transforma a própria criação em objeto de medo, vergonha e abandono.

A partir daí, Frankenstein deixa de ser apenas uma história sobre um cientista que ultrapassa limites morais e passa a acompanhar também a formação emocional da Criatura. 

Sozinho, ele aprende a observar o mundo, desenvolve linguagem, afeto e consciência, mas responde com violência quando encontra rejeição por todos os lados.

O que torna a trama mais rica é que o filme não trata a Criatura apenas como um monstro, nem Victor apenas como um vilão clássico. Del Toro reorganiza o eixo da história para construir um drama sobre dor, luto, filiação e necessidade de reconhecimento.

Por isso, Frankenstein avança em duas frentes ao mesmo tempo: de um lado, acompanha a ruína progressiva de Victor; de outro, transforma a jornada da Criatura em uma reflexão sobre humanidade, abandono e perdão.

Quem faz parte do filme?

O longa é dirigido por Guillermo del Toro, cineasta mexicano que construiu uma filmografia marcada por monstros, fantasia sombria e personagens deslocados. 

Em sua trajetória, ele dirigiu filmes como Cronos (1992), O Labirinto do Fauno (2006) e A Forma da Água (2017), que venceu o Oscar de Melhor Filme, além de ter conquistado também o Oscar de Melhor Animação com Pinóquio (2022).

Frankenstein é um projeto antigo do diretor, que há anos descreve a obra de Mary Shelley como um texto central em sua vida criativa. Ao adaptar esse material agora, del Toro parte de uma leitura menos interessada no susto e mais voltada a perdão, compreensão e às marcas emocionais deixadas pela rejeição.

Outro nome central do filme é Oscar Isaac, protagonista da produção, que interpreta Victor Frankenstein. Nascido na Cidade da Guatemala, o ator se tornou um dos nomes mais versáteis de sua geração, com papéis em Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum (2013), O Ano Mais Violento (2014), Duna (2021), Além da série de 2022 Cavaleiro da Lua.

Em Frankenstein, Isaac assume uma versão mais expansiva e trágica do cientista, acompanhando o personagem ao longo de diferentes fases da vida. 

Quem também ganhou destaque no filme foi Jacob Elordi, indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por viver a Criatura. Depois de chamar atenção na série Euphoria (2019) e ampliar sua reputação no cinema com Priscilla (2003) e Saltburn (2023), o ator encontrou aqui um de seus papéis mais elogiados.

Segundo o próprio del Toro, Elordi levou para o personagem uma verdade muito pessoal, o que ajuda a explicar por que sua Criatura aparece menos como ameaça e mais como centro emocional do filme. 

Não por acaso, ele venceu o Critics Choice de ator coadjuvante.

Na trilha sonora, del Toro contou com Alexandre Desplat, compositor francês que já havia trabalhado com ele em A Forma da Água. 

Desplat é um dos nomes mais respeitados da música de cinema e venceu o Oscar por O Grande Hotel Budapeste (2014) e pelo próprio A Forma da Água.

Em Frankenstein, sua trilha aparece como uma peça importante para sustentar o tom entre o sublime, o melancólico e o trágico. 

Dentro de uma produção que também chama atenção por figurinos, maquiagem e desenho de produção, a música ajuda a costurar a dimensão romântica do filme e reforça sua vocação de grande espetáculo dramático.

A força de Frankenstein no Oscar

Além de disputar Melhor Filme, Frankenstein chega à premiação com nove indicações, como roteiro adaptado, fotografia, figurino, maquiagem, som, trilha sonora e direção de arte. Esse conjunto mostra que o filme não foi visto apenas como uma adaptação prestigiada, mas como uma obra completa.

A força do longa também passa pelo nome de Guillermo del Toro. A Academia já demonstrou, em anos anteriores, enorme receptividade ao tipo de fantasia autoral que ele produz, como mostrou a consagração de A Forma da Água, e Frankenstein se encaixa justamente nessa tradição de cinema ambicioso, visualmente elaborado e emocionalmente assumido.

Outro ponto importante é que o filme consegue transformar um material extremamente conhecido em algo com identidade própria. Em vez de repetir Frankenstein apenas como mito do horror, del Toro usa a história para falar de masculinidade tóxica, ciclos de violência, abandono e da busca desesperada por afeto, o que amplia o peso dramático da narrativa.

A atuação de Jacob Elordi também tem papel relevante nessa força. Quando um filme consegue emplacar um intérprete em categoria de atuação e, ao mesmo tempo, se manter muito forte em áreas técnicas, isso costuma indicar que a obra foi percebida como algo mais amplo do que um simples exercício visual.

Ao mesmo tempo, Frankenstein também carrega um tipo de prestígio que costuma pesar na corrida: é uma adaptação literária reconhecível, assinada por um diretor vencedor do Oscar, com escala muito ambiciosa e acabamento artesanal evidente em cenários, figurinos e construção visual. Em um ano competitivo, isso ajuda o filme a se diferenciar dentro da categoria principal.

Por fim, o contexto simbólico também reforça sua candidatura. Entre os concorrentes de 2026, Frankenstein representa uma aposta da Academia em um filme que une tradição literária, autoria forte e exuberância visual, mas sem abandonar o centro emocional da história. 

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