- Othon Bastos, com 92 anos, está em cartaz no Rio com o monólogo Não me Entrego, Não e levará o espetáculo a Recife no mês que vem; ele completará 93 anos em maio.
- A peça revisita sua trajetória e presta homenagem a colegas da dramaturgia nacional, como Dulcina de Moraes, Gianni Rato e Sergio Britto, entre outros.
- O texto, de Flávio Marinho, não é biografia, mas mostra os passos do ator ao lado da profissão; a Memória, de Juliana Medella, auxilia quando ele se esquece de falas em quase duas horas de texto.
- Bastos fala sobre censura durante a ditadura, defende a democracia e sustenta que o artista deve se posicionar, mantendo o respeito às diferenças e à liberdade de pensamento.
- Fora dos palcos, ele é casado com a atriz Martha Overbeck há sessenta anos, e tem filho e neto; o show é a maior alegria e ele não planeja retornar com frequência à televisão ou cinema.
Othon Bastos, aos 92 anos, segue em cartaz com o monólogo Não me Entrego, Não, em cartaz no Rio e com apresentação marcada em Recife no próximo mês. O ator revisita a trajetória profissional, fala da democracia e defende a necessidade de posicionamento público dos artistas. O espetáculo tem apoio de memória e de textos de Flávio Marinho.
O monólogo, que já pulsa há quase dois anos em cena, não é biográfico, mas percorre a vida de Bastos ao lado da profissão que escolheu. O texto acompanha a atuação de Bastos, com apoio de Juliana Medella na memória, em quase duas horas de encenação. A obra retrata o legado do ator sem foco em tristezas.
Nascido em Tucano, na Bahia, Bastos tornou-se símbolo do cinema e do teatro brasileiro ao longo de uma carreira iniciada no Nordeste, com passagem pelo Teatro Oficina e pela região de Salvador. O artista relembra a infância humilde, a decisão entre odontologia e arte e a escolha pelo palco, que o levou a Londres e depois de volta ao Brasil.
Trajetória e influências
Ele recorda a convivência com ícones da dramaturgia brasileira, como Dulcina de Moraes, Sérgio Britto e Gianfrancesco Guarnieri, além de sua participação em filmes emblemáticos do Cinema Novo. Othon destaca o acaso como motor de oportunidades, o que o levou a papéis marcantes, entre eles o célebre Corisco em Deus e o Diabo na Terra do Sol.
O ator explica o método de entrada em cena, sempre pedindo licença ao palco e aos espíritos antes de começar. Também comenta o peso da censura durante a ditadura, afirmando que a companhia não sofreu censura formal, mas vivenciou o medo e a necessidade de autorização em cada cidade.
Visão sobre cultura e política
Bastos defende que artistas devem se posicionar politicamente, desde que com respeito à diversidade de opiniões. Ele critica a dificuldade atual de financiamento de projetos, comparando a produção de então, com bancos que ajudavam e muitas apresentações semanais, com o cenário atual de orçamento restrito e logística mais pesada.
Odinário em voz e atitude, o ator reforça a importância da democracia e afirma que não há espaço para ódio entre pessoas com pensamentos diferentes. Sobre a imprensa e o cinema, aponta que filmes como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto revelam nuances históricas que merecem análise crítica.
Perspectivas e cotidiano
Na vida pessoal, Bastos é casado há 60 anos com a atriz Martha Overbeck, com quem criou uma companhia teatral e realizou turnês. Othon comenta ainda a sua relação com o público, a alegria de manter a peça em cartaz e a vontade de se renovar sem abandonar a essência de sua carreira.
Ao encerrar a entrevista, ele reforça o compromisso com o ofício, afirmando que a maior recompensa do ator é justamente continuar trabalhando e aproximando-se das pessoas, em cena ou nos bastidores. Othon Bastos permanece ativo, com planos de continuar apresentando o monólogo e recebendo convites que não abandone a peça atual.
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