- O Waiff Brasil aconteceu em 27 e 28 de fevereiro no campus da Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo, com 38 obras brasileiras (35 curtas e 3 longas) e mais de 400 inscrições, exigindo o uso de pelo menos três ferramentas de IA generativa.
- Entre os premiados, destaque para Melhor Longa-Metragem Die in Peace, Melhor Curta-Metragem – Documentário Warped Memories e outras categorias como Ação, Fantasia e Drama, com várias obras apresentadas no cinema da Faap.
- Houve controvérsia envolvendo o algoritmo Seedance 2.0 da ByteDance, alvo de notificação extrajudicial da Motion Picture Association por suposta violação de direitos, com a indústria pedindo que sejam usados guardrails e controles.
- A indústria de cinema planeja usar IA para reduzir custos e ampliar lucros, enquanto negociações sindicais sobre IA com SAG-Aftra e DGA vencem no fim de junho e podem abrir caminho para uma greve.
- O Waiff Brasil faz parte de cinco etapas (seguem Seul, Quioto, Pequim e a final em Cannes nos dias 21 e 22 de abril), com Claude Lelouch e Gong Li como presidentes do júri.
O Waiff Brasil, primeira mostra de filmes gerados por inteligência artificial no país, exibiu 38 obras brasileiras entre curtas e longas-metragens. O festival ocorreu nos dias 27 e 28 de fevereiro no campus da Faap, em São Paulo, com apoio de recursos via Lei Rouanet. A programação reuniu criadores, jurados e produtores da indústria de IA aplicada ao cinema.
A seleção consistiu em filmes que utilizam, no mínimo, três ferramentas de IA generativa, incluindo geração de imagens. Ao todo, foram apresentadas 35 curtas e 3 longas, escolhidos entre mais de 400 inscrições. O objetivo é mapear o estado da arte da IA no audiovisual no Brasil.
O evento traçou um panorama da produção nacional, apresentando debates, palestras e workshops sobre IA. Ao longo da mostra, jurados avaliaram aspectos técnicos, narrativos e estéticos, destacando a diversidade de linguagens geradas por IA e o desafio de manter a coerência de roteiro.
Entrevistas e desdobramentos
A cobertura incluiu entrevistas com realizadores, além de observações sobre a viabilidade comercial de obras criadas com IA no Brasil. A organização enfatizou a necessidade de regulamentação clara para o uso de IA na indústria, especialmente em relação a direitos autorais e remuneração de criação.
A crítica da sessão aponta para o fato de que, embora o festival exiba potencial técnico, muitos filmes provocam reflexões sobre o papel humano na construção de histórias. Alguns jurados destacaram a importância de alinhavar narrativas consistentes, não apenas efeitos visuais impressionantes.
Prêmio e continuação do circuito
Entre os prêmios, o Waiff Brasil reconheceu melhor longa-metragem, melhor curta documentário, melhor curta de ação, melhor curta fantasia e melhor curta drama. A etapa brasileira é a primeira de cinco, com etapas em Seul, Quioto e Pequim, até a grande final em Cannes, em abril.
A final internacional terá como presidente do júri o cineasta Claude Lelouch e como representante da atriz Gong Li. A vencedora global, anunciada no festival online anterior, vinculou-se a uma produção que mescla realidade e ficção, explorando a linguagem própria de obras criadas com IA.
Contexto e impactos
A agenda do setor inclui a pressão por controles sobre a geração de conteúdo audiovisual com IA. Em paralelo, estúdios discutem contratos que tratam de direitos, remuneração e limites de uso de IA, com a expiração de acordos de SAG-Aftra e DGA prevista para junho. O tema permanece em debate intenso na indústria.
O Waiff Brasil recebeu a participação de diversos produtores brasileiros, refletindo o interesse nacional pela incorporação de IA em cinema, animação e publicidade. O festival reforça a curiosidade pelo potencial criativo da tecnologia e os desafios éticos e legais associados.
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