- Dozens de eurodeputados assinaram uma carta pedindo a suspensão de todo o financiamento da União Europeia à Venice Biennale caso a participação russa prossiga; são 34 signatários, conforme Politico, com 37 citados no total.
- A carta, dirigida a Ursula von der Leyen, à chefe de política externa da UE e ao ministro das Relações Exteriores de Chipre, afirma que a Rússia não deve participar de um evento financiado por dinheiro de contribuintes europeus.
- Os signatários destacam que a presença russa enfraqueceria a credibilidade da UE e prejudicaria a Ucrânia, exigindo que o pavilhão russo não seja usado para atividades russas, físicas ou digitais.
- A Rússia planeja apresentar um programa no pavilhão, The tree is rooted in the sky, com festival musical ao ar livre antes da abertura oficial; seria a primeira participação desde a invasão de 2022.
- O movimento de oposição inclui protestos do grupo Pussy Riot, que pretende ação protestante com componente artística e contou com apoio de artistas e curadores de outros pavilões.
Dozens de membros do Parlamento Europeu assinam uma carta pedindo a suspensão de todo o financiamento da União Europeia à Venice Biennale caso a Rússia participe do evento. A relação entre sanções e apoio a programas culturais está no centro da polêmica.
A carta, obtida e publicada pelo Politico em 26 de março, soma 34 signatários, com a informação de que podem ser 37 signatários. Os signatários dirigem-se à presidente da UE, Ursula von der Leyen, à chefe de política externa, Kaja Kallas, e ao ministro das Relações Exteriores do Chipre, Constantinos Kombos.
Segundo o documento, a participação da Rússia não deve ocorrer com recursos de contribuintes europeus. O grupo argumenta que a Rússia está sujeita a sanções e que o pavilhão russo não pode realizar atividades financiadas ou organizadas pela Rússia, em formato físico ou digital.
Os signatários afirmam que a presença da Rússia em Veneza enfraquece a credibilidade da UE e a ajuda financeira a instituições que recebem o pavilhão russo entra em choque com os valores defendidos pelo bloco, incluindo apoio à Ucrânia. O texto reforça que a Ucrânia não merece ambiguidades.
Antes do envio da carta, o porta-voz cultural russo Mikhail Shvydkoy anunciou que o pavilhão da Rússia apresentaria um programa musical no piquete do Giardini, com a obra intitulada The tree is rooted in the sky. A proposta envolve apresentações fora do edifício principal, com projeção dentro do pavilhão durante a Bienal.
A controvérsia teve desdobramentos políticos e culturais. Em 2022, a Rússia não abriu o pavilhão logo após o início da invasão da Ucrânia, e houve apoio de ministros europeus da cultura para suspender o financiamento da Bienal. A União Europeia também levantou a possibilidade de suspensão de até 2 milhões de euros em recursos.
Reação na Ucrânia ocorreu após ataques russos contra o centro de Lviv, UNESCO-protegido, com o ministro das Relações Exteriores ucraniano pedindo reconhecimento da face do que chamou de barbárie de Moscou. O histórico da participação russa na Bienal inclui o empréstimo do pavilhão russo à Bolívia em 2024.
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