- O filme Nuremberg (com lançamento no Brasil em 26 de março) retrata o psiquiatra Douglas Kelley, responsável por avaliar 22 oficiais nazistas após a Segunda Guerra Mundial, incluindo Hermann Göring.
- Kelley tentou entender a mente dos criminosos para determinar se estavam aptos a ser julgados, sob um contexto de criar um tribunal internacional para crimes contra a humanidade.
- Entre os métodos controversos dele, destacam-se entrevistas extensas, testes psicológicos e até contatos pessoais com Göring, que incluíam ajudar o prisioneiro a controlar vícios e manter ligação com a família.
- Göring foi condenado à morte por enforcamento; na noite anterior à execução, ele cometeu suicídio com cianeto, cuja origem ainda é alvo de debate.
- Após as avaliações, Kelley concluiu que os nazistas não apresentavam transtornos mentais específicos, gerando críticas de que sua leitura poderia humanizar os réus e impactar sua carreira.
O filme Nuremberg chega aos cinemas brasileiros, apresentando Douglas Kelley, o psiquiatra encarregado de avaliar 22 oficiais do alto comando nazista após a Segunda Guerra Mundial. Entre eles estava Hermann Göring, interpretado por Russell Crowe. A obra utiliza o livro O Nazista e o Psiquiatra como base.
Kelley, 33 anos na época, foi convocado pelo Exército americano para determinar a sanidade mental dos prisioneiros e evitar suicídios antes do julgamento. O drama se concentra no embate entre Kelley e Göring, marcado por manipulações e uma relação ambígua.
O contexto histórico remonta ao Julgamento de Nuremberg, iniciado em 1945 para julgar líderes nazistas. Os Aliados criaram um tribunal internacional para punir crimes contra a humanidade, com cautela e processos legais internacionais.
Os métodos controversos de Kelley
Ao analisar Göring, Kelley utilizou testes psicológicos e longas conversas que revelaram um elo improvável entre médico e paciente. Por meses, o médico auxiliou Göring no tratamento de vício em analgésicos e na perda de peso, situações que buscavam preservar a vida do prisioneiro.
A convivência permitiu que Kelley entendesse o carisma do nazista, bem como aspectos como lealdade à família e uma certa cordialidade que surpreendiam as autoridades. Em paralelo, o médico contrabandeava cartas de Göring para a esposa e a filha, situação que contraria regras carcerárias.
Um dado repetido pelo filme é Göring ter pedido que Kelley adotasse sua filha e a levasse aos Estados Unidos, demonstrando uma relação incomum entre médico e paciente. Tais detalhes alimentam debates sobre os limites éticos da avaliação.
O desfecho jurídico e as controvérsias
Göring foi condenado à morte, via enforcamento, mas cometeu suicídio na véspera da execução usando cianeto. A origem do veneno é debatida; há relatos contraditórios entre um ex-guardas e documentos deixados por Göring.
Ao fim das avaliações, Kelley concluiu que os réus estavam aptos a serem julgados e não apresentavam transtornos mentais que os desqualificassem. Identificou padrões como nacionalismo e autoritarismo, sem traços de insanidade.
A análise de Kelley gerou críticas: defensores da linha dura afirmaram que o psiquiatra minimizou crimes, enquanto ele próprio escreveu sobre o tema em 22 Celas em Nuremberg, livro que não teve bom desempenho comercial.
Após o caso, Kelley permaneceu marcado pelo tema do mal e dos crimes de guerra. Enfrentou problemas pessoais e, em 1958, cometeu suicídio aos 45 anos, recorrendo ao mesmo método utilizado por Göring.
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