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Almodóvar diz não saber contar história sobre pessoas absolutamente felizes

Cores intensas são elemento narrativo essencial para Almodóvar, que privilegia atores; afirma não saber contar histórias sobre pessoas absolutamente felizes

Cineasta espanhol fala, em Paris, sobre as cores explosivas e as histórias dolorosas e traumáticas em seus filmes, exalta o papel dos atores e diz que se sente como um pintor no set de filmagem
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  • Pedro Almodóvar, 76 anos, diz que as cores explosivas são essenciais na sua cinematografia e que, ao filmar, se sente como um pintor.
  • O cineasta comentou que o trabalho atual, Natal Amargo, competirá pela Palma de Ouro no Festival de Cannes, e que há uma retrospectiva dedicada a ele no Centro Pompidou até 26 de maio.
  • Segundo ele, a explosão de cores veio de filmes que viu em Technicolor e também como resposta ao luto imposto à mãe durante a infância, mantendo-a vestindo preto por muito tempo.
  • Almodóvar destacou a importância dos atores no processo criativo, citando nomes como Carmen Maura, Antonio Banderas, Victoria Abril, Javier Bardem, Tilda Swinton e Julianne Moore.
  • Em suas obras, há muitos personagens que acompanham outros em momentos de dor; o diretor afirmou que nunca saberia contar uma história sobre pessoas absolutamente felizes.

Paris – O cineasta Pedro Almodóvar mostrou como as cores moldam sua narrativa. Em conversa com estudantes durante uma retrospectiva no Centro Pompidou, o espanhol explicou que, ao filmar, se sente como um pintor e que as tonalidades intensas são essenciais para contar histórias.

Desde o início da carreira, o diretor de quase 30 filmes vê o cinema como uma grande festa. Em Paris, ele destacou que trabalha com a percepção de três dimensões ao escolher cores, que funcionam como elemento narrativo central em seus filmes.

Cores como expressão

Almodóvar explicou que a explosão de cores surge como resposta a tradições de luto que marcaram sua infância. A mãe dele, que precisou permanecer vestida de negro por muito tempo, influenciou a escolha por paletas vibrantes que dão vida aos seus personagens.

Entre as obras citadas, ele mencionou figuras como Leo Macías, de A Flor do Meu Segredo, e Raimunda, de Volver, ressaltando o papel dos protagonistas na transmissão das emoções. O diretor enfatizou ainda a importância dos intérpretes no sentido da comunicação visual.

Atores como motor de narrativa

O cineasta reforçou a ideia de que a atuação é o principal veículo de mensagem em seus filmes. Ao longo da carreira, colaborou com nomes como Carmen Maura, Antonio Banderas, Victoria Abril, Javier Bardem, além de Tilda Swinton e Julianne Moore em trabalhos recentes.

No debate, Almodóvar comentou sobre a presença constante de personagens dolorosos em suas histórias, destacando que alguns textos exigem acompanhar o sofrimento para compreender o retrato humano. Ele afirmou ainda que, para contar certas histórias, a alegria absoluta não é suficiente.

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