- Dindi Coelho, vice-presidente de produto da Mutato, falou no São Paulo Innovation Week sobre frameworks narrativos que estruturam conteúdos memoráveis, destacando o papel do contraste emocional.
- Ela aponta que oscilações emocionais — como mal, bem e mal novamente — ajudam a prender a atenção e podem servir a diferentes formatos, desde cinema até plataformas digitais.
- O humor é visto como trait coletivo que facilita conexão; marcas costumam ter medo de riscar limites, mas o humor autodepreciativo é considerado mais seguro e capaz de aproximar o público.
- Sobre IA, a recomendação é usar o recurso sem abandonar o olhar humano: IA amplia possibilidades, mas o toque humano evita conteúdos repetitivos e favorece a inovação.
- A autenticidade envolve falar de cansaço digital sem rejeitar totalmente o ecossistema online; o craft humano continua relevante mesmo com a expansão das plataformas.
Dindi Coelho, vice-presidente de conteúdo da Mutato, veio ao São Paulo Innovation Week para falar sobre como momentos de oscilação emocional constroem conteúdos memoráveis. Ela analisou 500 conteúdos virais em cinco plataformas e identificou padrões narrativos que ajudam a fixar mensagens. O estudo remete aos frameworks descritos por Kurt Vonnegut na literatura.
A especialista enfatizou que o contraste emocional é o principal motor. Segundo ela, situações em que um personagem passa por mudanças de ânimo de forma oscilante tendem a resultar em conteúdos com maior capacidade de retenção. A ideia é aplicar esse conceito na formatação de mensagens para marcas.
Coelho destacou que o tema é aplicável a cinema, literatura, criadores de conteúdo e comunicação corporativa. Ela aponta que o cerne é a emoção humana, independente do veículo, seja texto, vídeo ou matéria jornalística. A pesquisadora também comenta o papel do humor nas narrativas.
Humor, marcas e risco
Para ela, o humor é coletivo: rir junto aumenta a conexão entre marca e público. No entanto, há limites, especialmente para grandes marcas, que podem encontrar resistência ao brincar com estruturas sérias. O humor autodepreciativo é citado como opção mais segura, desde que não haja ferir terceiros.
A pesquisadora avalia que o desafio está em equilibrar risco e autenticidade. Brincar com vulnerabilidade pode aproximar o público, desde que haja responsabilidade e sem desrespeito. O humor, quando bem executado, facilita a identificação com a mensagem.
Algoritmo e criatividade
Sobre o uso de algoritmos, Dindi afirma que não é necessário romper totalmente com eles. O importante é entender suas regras, como a preferência por vídeos curtos, e manter uma contribuição humana que traga novidade. A IA é vista como ferramenta de aceleração, não substituição completa.
Ela comenta ainda que o detox digital tornou-se uma tendência de consumo, com as plataformas oferecendo alternativas offline. Segundo a pesquisadora, a autenticidade surge ao reconhecer limites do uso das plataformas sem perder a conexão com o público.
IA, criatividade e direção humana
Coelho defende o equilíbrio entre IA e craft humano. O potencial da IA é claro para democratizar recursos criativos, mas é fundamental preservar a singularidade humana para evitar redundâncias. Em mercados de luxo, onde o craft é valorizado, a influência humana permanece relevante.
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