- A exposição “Multiple Offerings” reúne mais de cem trabalhos de Theresa Hak Kyung Cha, atual centenária retrospectiva no Berkeley Art Museum and Pacific Film Archives (BAMPFA), aberta neste inverno e com encerramento previsto para domingo.
- A mostra contextualiza a carreira de Cha entre 1969 e 1982, destacando sua passagem por Berkeley, França, Nova York e retorno à Coreia, e mostra como suas práticas atravessam diferentes meios.
- O conjunto inclui obras de Cha ao lado de trabalhos de dez artistas que a influenciaram, formando um diálogo entre gerações e vertentes da sua prática.
- Destaque para as peças textuais e de performance, como Dictée, Monologue, Repetitive Pattern e Aveugle Voix, que exploram a relação entre linguagem, tempo e memória.
- A curadoria enfatiza a ideia de “múltiplos relatos com múltiplas oferendas” e o papel da família de Cha na preservação de seu legado, com a mostra marcando a maior retrospectiva de sua obra em 25 anos.
Theresa Hak Kyung Cha chega a Berkeley com a maior retrospectiva de sua obra já realizada. Intitulada Multiple Offerings, a mostra reúne mais de 100 trabalhos da artista, além de peças de 10 convidados, em uma leitura ampla de seu percurso entre 1969 e 1982. O museu BAMPFA, em Berkeley, é o responsável pela curadoria, sob a coordenação de Victoria Sung. A exposição fica em cartaz até este final de semana.
Organizada ao redor do conceito de Multiplos Oferecimentos, a mostra exibe a prática híbrida de Cha, que transita entre vídeo, instalação, performance, escrita e objetos. O objetivo é revelar como a artista, já em vida, questionou linguagem, memória e deslocamento de pessoas em exílio. O acervo cruza peças de Cha com trabalhos de mentores, pares e jovens influenciados por seu legado.
A curadoria enfatiza a trajetória geográfica de Cha, com foco no período passado entre a Califórnia, França, Nova York e Korea do Sul. Entre os destaques, estão obras antigas produzidas em berços como o estúdio cerâmico de Peter Voulkos, em Berkeley, que dialogam com referências da cerâmica tradicional coreana.
Destaques da exposição
- Cha apresenta textos de artista, notas de produção e poemas em vitrine, evidenciando seu interesse pela desarticulação da linguagem e pela relação entre escrito e imagem.
- Obras icônicas incluem Repetitive Pattern (1975) e Monologue (1977), explorando diagramas de frases e a fragmentação do significado.
- Um núcleo da mostra é Permutations (1976), com cenas da irmã Bernadette em situações de tempo curto e leitura de acaso, evidenciando a abordagem de Cha sobre percepção e linguagem.
A mostra também contextualiza o trabalho não concluído de Cha, como o filme White Dust from Mongolia (1980), que permanece como referência para entendimento de sua pesquisa sobre história e identidade. O acervo da artista na instituição soma cerca de 26 mil objetos, reorganizados nos últimos três anos para a retrospectiva.
A curadora ressalta que a exposição revela uma artista que buscava espaço para a leitura plural de seu legado, onde cada visitante pode atribuir novos significados às obras. Em paralelo, o universo da pesquisa sobre Cha tem aumentado, com o período de 25 anos sem exibição de grande escala rompido pela presente mostra.
Entre na conversa da comunidade