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Marcella Muniz transforma luto em ritual de cura em monólogo delicado

Monólogo transforma luto em cura: atuação contida de Marcella Muniz e cenografia que transforma cemitério em jardim de lembranças

Monólogo de Marcella Muniz é baseado no romance homônimo de Valérie Perrin - Roberto Carneiro / Divulgação
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  • Monólogo brasileiro inspirado em Água Fresca para as Flores apresenta Marcella Muniz no papel de Violette Toussaint, zeladora de cemitério que cuida de lápides e das saudades alheias.
  • A peça aborda abandono, violência de casamento tóxico e luto, mantendo tom suave e sem melodrama, com foco na cura e na resiliência.
  • A direção de Bruno Costa imprime um ritmo meditativo, valorizando o tempo interno da história e uma cenografia que mistura o doméstico com o fúnebre.
  • Marcella Muniz entrega uma atuação contida e digna, evitando artifícios dramáticos e convidando o público a sentir a dor nas pausas da cena.
  • A montagem tem recebido feedbacks positivos do público, que sai do espetáculo com a sensação de ter recebido companhia para a dor e compreensão sobre o luto.

Montagem brasileira baseada na obra de Valérie Perrin apresenta um monólogo dirigido por Bruno Costa e estrelado por Marcella Muniz. A protagonista, Violette Toussaint, trabalha em um cemitério na Borgonha e oferece cuidado às histórias de quem partiu, num rito de cura com delicadeza. A montagem transforma luto em experiência estética, sem melodrama.

O texto acompanha a trajetória de Violette, zeladora que transforma o campo santo em um espaço de acolhimento. Ela não cuida apenas de lápides, mas cura memórias alheias, mantendo vivas as saudades com gestos simples, como o café servido ao visitante.

A encenação demonstra uma leitura de luto menos retórica e mais contemplativa. Marcella Muniz, em seu primeiro monólogo após décadas, constrói a personagem com sobriedade e precisão, evitando o excesso emocional e valorizando o silêncio como elemento dramático.

A direção de Bruno Costa privilegia o tempo interno da narrativa. O ritmo meditativo contrasta com a pressa do cotidiano e a cenografia mistura elementos domésticos com símbolos funerários, reforçando a sensação de suspensão temporal.

A produção enfatiza temas como abandono, violência silenciosa de relacionamentos tóxicos e perdas irreparáveis. A montagem não recorre ao cinismo; ela investiga a resiliência e a possibilidade de encontro com uma felicidade obstinada em meio a cenários áridos.

Ao longo da temporada, a peça tem gerado discussões entre o público, com relatos sobre como a história inspirou reflexões sobre luto, maternidade e escolhas de vida. A companhia aponta que a obra busca oferecer companhia em vez de respostas prontas.

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