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Schiaparelli: Fashion Becomes Art reúne 400 criações no V&A

Retrospectiva no Victoria and Albert revela a influência de Schiaparelli, que fundiu moda, arte e performance, conectando Paris, Londres e Nova York

Retrato da estilista feito por Man Ray em 1933
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  • A mostra Schiaparelli: Fashion Becomes Art fica em cartaz no Victoria and Albert Museum, em Londres, de 28 de março a 8 de novembro.
  • Reúne mais de quatrocentas criações, incluindo cerca de cem looks completos e cinquenta obras de arte, articulando moda e arte.
  • Entre os destaques estão vestidos Skeleton e Tears, o chapéu em forma de sapato invertido e o Lobster Dress, todos criados com Salvador Dalí.
  • A exposição também foca a filial londrina da grife, inaugurada em 1933, que ampliou o papel surrealista no circuito britânico.
  • O percurso dialoga o legado de Elsa Schiaparelli com o trabalho atual de Daniel Roseberry, mantendo o espírito surrealista da marca.

A exposição Schiaparelli: Fashion Becomes Art chega ao Victoria and Albert Museum, em Londres, marcando a primeira grande retrospectiva da maison no Reino Unido. A mostra reúne mais de 400 criações, explorando como Elsa Schiaparelli transformou moda em linguagem artística entre 1920 e os dias atuais.

Até 8 de novembro, na Sainsbury Gallery, o recinto percorre quase um século de criações. A curadoria destaca a convivência entre moda, arte e performance, evidenciando parcerias com Dalí, Cocteau, Man Ray, Giacometti, Meret Oppenheim e Leonor Fini.

Schiaparelli não se via como artista, disseram os responsáveis pela mostra, mas sua relação com a vanguarda de Paris, Londres e Nova York é essencial para entender seu papel na alta-costura do período entre guerras. A curadoria reforça a integração entre artes visuais, teatro e fotografia.

Destaques da mostra

Entre os itens-chave estão os vestidos Skeleton e Tears, além de um chapéu em formato de sapato invertido, criados com Dalí. O diálogo entre o Lobster Dress, de 1937, e a escultura Lobster Telephone, de Dalí, ilustra a fluidez entre moda e objeto artístico.

A exposição exibe mais de 100 looks completos e 50 obras de arte, incluindo o retrato de 1937 em que Nusch Éluard veste um casaco Schiaparelli. A curadoria também reuniu acessórios, joias, fragrâncias, fotografias, mobiliário e documentos de arquivo.

Olhar londrino e continuidade criativa

Um eixo novo na mostra é a filial londrina, aberta em 1933, que introduziu o surrealismo no circuito local. Peças raras ajudam a reconstruir esse capítulo, como vestidos usados por colecionadores e o único vestido de noiva existente da marca.

Documentos revelam a força da rede britânica, incluindo aquisições feitas por Edward James para amigas próximas de Gala Dalí. O percurso também dialoga com a atualidade, conectando Elsa Schiaparelli a Daniel Roseberry, diretor criativo desde 2019.

Roseberry é apresentado como quem mantém vivo o espírito da fundadora, reinterpretando silhuetas clássicas com proporções extremas. A narrativa contemporânea destaca texturas, botões, cores e referências que renovam a visão surrealista para o século XXI.

Contexto histórico e impacto

A curadoria situa a moda como resposta intelectual aos choques do século XX, incluindo o pós-Primeira Guerra, o nazifascismo, a Segunda Guerra e o início da Guerra Fria. A mostra evidencia que a extravagância vestível funcionou como linguagem crítica, não apenas ornamento.

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