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Diretor francês de filme sobre colaborador nazista rejeita gaslighting

Giannoli e Dujardin rebatem acusações de gaslighting histórico sobre filme sobre o colaboracionismo de Luchaire, defendendo pesquisa com historiadores

Giannoli (right, alongside Jean Dujardin) said his film was ‘no attempt to absolve these people’. Photograph: Christine Tamalet/(C) 2026 Waiting For Cinema/ Curiosa Films/ Gaumont/ France 3 Cinéma
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  • O diretor Xavier Giannoli e o ator Jean Dujardin defendem o filme Les Rayons et les Ombres, sobre o colaboracionista nazista Jean Luchaire, das acusações de “gaslighting histórico”.
  • O filme é narrado pela filha de Luchaire, Corinne, e aborda a vida do jornalista e ministro de informação do regime de Vichy; Luchaire foi executado por traição em 1946.
  • Críticos e historiadores dizem que a obra minimiza a resistência francesa e glamoriza o regime, gerando debate político.
  • Giannoli afirma ter trabalhado com historiadores e que as acusações são factualmente falsas; nega que o filme tenha como objetivo absolver alguém.
  • Desde o lançamento, o filme já atraiu oitocentos mil cinéfilos na França.

Xavier Giannoli, diretor do filme Les Rayons et les Ombres, e o ator Jean Dujardin defenderam a obra diante de críticas de historiadores que alegam omissão de atrocidades durante a ocupação nazista na França. O filme aborda a figura do barão da imprensa Jean Luchaire, figura central da colaboração com o regime de Vichy. Os dois disseram que as acusações de romantizar figuras da época são injustas e politicamente motivadas.

Giannoli afirmou que o roteiro foi desenvolvido em estreita colaboração com historiadores e que a produção não busca absolver ninguém. Segundo ele, a narrativa mostra o mundo de um colaboracionista, sem desfigurar fatos históricos, e criticou ataques que classifica como distorções fundamentadas em posicionamentos políticos. Dujardin reforçou a complexidade dos personagens retratados.

Críticos e historiadores contestaram a abordagem do filme, alegando que a obra minimiza o papel da resistência e o destino de judeus parisiense durante a ocupação. Eles apontam que o filme, ao privilegiar a perspectiva da filha de Luchaire, Corinne, pode induzir a empatia por figuras ligadas à propaganda e à repressão nazistas.

Jean Luchaire foi jornalista e ministro da Informação no governo de Vichy, liderado por Pétain. Durante 1944, o veículo que fundou divulgou propaganda nazista contra a resistência e ataques aos Aliados. O retrato apresentado pelo filme mostra uma vida de luxo durante o regime, com festas e jantares.

Corinne Luchaire, interpretada por Nastya Golubeva, aparece como figura central que também colaborou e enfrentou a repressão após a guerra. Ela foi julgada em Paris em 1946 por associar-se a alemães durante a ocupação e acabou falecendo de tuberculose em 1950.

Desde seu lançamento em meados de março, o filme ultrapassou 800 mil espectadores na França, superando as previsões para um longa com mais de três horas de duração. A aceitação do público contrasta com críticas de historiadores que questionam a fidelidade histórica.

Luc Chessel, crítico de cinema do jornal Libération, descreveu a produção como uma masterclass de gaslighting histórico, e apontou um problema moral na abordagem do tema. Em Le Monde, a historiadora Bénédicte Vergez-Chaignon criticou a distorção temporal e de fatos presentes na obra.

Giannoli reiterou que o filme não é uma tese histórica nem um documentário, mas uma narrativa ficcional baseada em pesquisa. Segundo ele, não houve tentativa de isentar os colaboradores ou defender a violência da época. Dujardin concordou em reconhecer a complexidade dos protagonistas.

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