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Chay Suede desconstrói imagem em peça dirigida por Hirsch

Peça dirigida por Hirsch desconstrói a imagem pública de Chay Suede por meio de memória fragmentada, projeções e narrativa que dialoga com biografia

Chay Suede em monólogo escrito por Caetano W. Galindo e dirigido por Felipe Hirsch - Flavia Canavarro / Divulgação
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  • A peça, dirigida por Felipe Hirsch, coloca Chay Suede em cena para desconstruir a própria imagem pública, com cenografia de Daniela Thomas e produção de Luque Daltrozo.
  • O título faz alusão a Tristram Shandy e o espetáculo é apresentado como um pseudo-documentário fragmentado, sugerindo múltiplas verdades possíveis.
  • A dramaturgia é estruturada em doze fragmentos que vão da infância do artista a relatos familiares, mesclando linguagem aristocrática e relatos populares.
  • A cenografia, com projeções e uma peça faltante no quebra‑cabeça visual, traduz memórias como falhas e borrões; o figurino sugere a oscilação entre imagem contida e fantasia performática.
  • O ator mantém contenção física, privilegiando a palavra e a voz; a obra debate narcisismo e mercantilização da imagem, oferecendo uma crítica à autenticidade no século XXI.

O teatro é o espaço escolhido para desconstruir a imagem pública de Chay Suede. A peça comandada por Felipe Hirsch coloca o ator em cena para desmontar a própria celebrity, explorando memória, narrativa e percepção do público. A encenação envolve Caetano W. Galindo como dramaturgo, Daniela Thomas na cenografia e Luque Daltrozo na produção, reunindo um trio-chave na renovação cênica brasileira.

O espetáculo assume o formato de um pseudo-documentário fragmentado. A narrativa é estruturada em doze momentos que percorrem a infância capixaba, negócios familiares e shows realizados em shoppings, tudo apresentado com linguagem formal que dialoga com a cultura popular. A referência a Tristram Shandy orienta o tom de digressões e interrupções que desafiam a ideia de completude.

A cenografia de Daniela Thomas, com Felipe Tassara, transforma o espaço em um cenário de memória. Uma plataforma vertical recebe projeções do Estúdio Radiográfico, enquanto peças ausentes do quebra-cabeça visual traduzem vulnerabilidades da lembrança. O figurino de Eliana Liu alterna entre o terno contido e uma fantasia, sinalizando que a identidade pública é uma construção performática.

Chay Suede mantém-se contido em cena, com a atuação guiada pela palavra e pelo domínio vocal. A interpretação evita a biografia literal, explorando o dual da fama e a mercantilização da imagem com clareza técnica. O desempenho destaca maturidade vocal e uma leitura precisa do texto denso elaborado por Galindo.

Em meio à estética barroca, a peça conversa com questões do tempo atual, apontando que autenticidade pode ser uma moeda volátil. A construção teatral convida o público a questionar narrativas que circulam sobre figuras públicas, sem oferecer verdades únicas. O resultado é uma reflexão sobre o que significa ser visto no século 21.

Equipe criativa

Caetano W. Galindo explica que a linguagem erudita reforça o estranhamento, servindo de contraste com histórias populares. A montagem busca humor a partir de deslocamentos linguísticos, sem recorrer a um tom confessional. A combinação entre texto e design cênico cria uma leitura que foge do óbvio.

Processo de criação

O texto nasce de conversas entre Chay, Hirsch e Galindo, com a cenografia de Daniela Thomas agregando camadas visuais. O resultado envolve participação de várias fontes, incluindo material audiovisual que a equipe transformou em parte da narrativa. O objetivo é oferecer uma leitura crítica sobre fama e memória, sem retratar a peça como documento estritamente factual.

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