- Cassie, na terceira temporada de Euphoria, passa a produzir conteúdo adulto para financiar o casamento dos sonhos, com cenas que incluem doggy look, orelhas e outras referências fetichistas.
- O público reagiu de forma dividida: alguns veem as cenas como chocantes; outros questionam se o incômodo é preconceito contra fetiches femininos.
- Sam Levinson, criador da série, defende a abordagem e diz que a proposta é mostrar o que a personagem tenta comunicar, ao mesmo tempo em que evidencia a complexidade emocional.
- Especialistas divergem: Sophie Rain critica a dramatização e a distância da realidade de criadores; Fernanda Bonfim destaca diversidade de fetiches e a necessidade de não reduzir tudo à degradação.
- O debate central é se a representação de fetiches e liberdade sexual feminina transforma o desejo em algo empoderado ou em objetificação, dependendo da construção narrativa e da visão externa do público.
A série Euphoria, já conhecida por trazer temas fortes, voltou a gerar debate com a terceira e última temporada. A trama acompanha Cassie, interpretada por Sydney Sweeney, que decide produzir conteúdo adulto para financiar o casamento dos seus sonhos. As cenas iniciais mostram a personagem em situações sensuais, com figurinos e adereços provocativos, para gravar vídeos.
Nas primeiras imagens, Cassie aparece com roupas e adereços ligados a fetiches, além de cenas que evocam o age play e o pet play. A reação do público tem sido dividida entre choque e questionamentos sobre o papel da liberdade sexual feminina na narrativa. Observadores destacam a presença de fetiches como parte da história, não apenas como efeito visual.
Reações e leituras críticas
Após a pressão nas redes, o criador Sam Levinson defendeu a escolha de retratar Cassie e as cenas, dizendo que a personagem rompe a quarta parede para revelar sentimentos e fragilidade. Levinson afirma que a ideia é aproximar o espectador da experiência da personagem, ao mesmo tempo em que aponta a depressão subjacente.
Especialistas ouvidos pela imprensa divergem sobre o impacto. Sophie Rain critica a dramatização excessiva da relação com o universo OnlyFans, ressaltando que a produção não reproduz a realidade de criadores. A especialista também rebate a estética infantil apresentada em algumas cenas.
Liberdade sexual ou estereótipos?
Fernanda Bonfim, pesquisadora do universo BDSM, afirma que a reação negativa revela resistência social ao tema. Segundo ela, nem toda representação é objeto de degradação e o julgamento ocorre mais nos olhos do público do que na prática retratada. Bonfim defende uma leitura mais contextualizada do prazer feminino.
Ela destaca que fetiches como pet play e age play são parte de dinâmicas consensuais entre adultos e não significam, por si, degradação. A pesquisadora destaca que a diversidade de experiências no fetichismo precisa ser considerada para ampliar o entendimento da sexualidade.
Construção audiovisual e responsabilidade
Carissa Vieira, crítica de cinema, aponta que o problema não está em abordar fetiches, mas em como isso é filmado. A crítica afirma que a câmera tende a objetificar o corpo feminino, afastando o foco do debate sobre liberdade e identidade da personagem. Vieira ressalta a importância de evitar a hiperssexualização.
Ela complementa que representações mais fiéis exigem nuances e cuidado para não reduzir a personagem a um objeto de prazer visual. A discussão envolve ainda como o conteúdo elaborado pelos fãs e pela produção dialoga com a realidade de quem vivencia esses fetiches.
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