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Filme mudo centenário mostra 1ª aparição do robô no cinema

Raro filme de Méliès, de 1897, é considerado o primeiro registro cinematográfico de um robô, restaurado e disponibilizado em alta definição

Curta-metragem de 1897 traz aquela que é considerada a primeira representação de um robô no cinema — Foto: Captura de tela do filme “Gugusse e o Autômato” / Library of Congress
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  • Filme mudo de 1897, Gugusse e o Autômato, é considerado o primeiro registro da aparição de um robô no cinema e foi redescoberto nos Estados Unidos.
  • A peça foi encontrada em Michigan, em um velho baú entre rolos de filmes antigos que pertenciam ao bisavô de Bill McFarland, professor aposentado.
  • O curta, dirigido por Georges Méliès, mostra um mágico e um autômato que cresce de tamanho e ataca o criador, sendo esmagado pelo mago com um martelo.
  • A cópia encontrada é uma duplicata de cópia original e estava entre rolos de nitrato em estado de conservação frágil, conforme avaliação da Biblioteca do Congresso.
  • A obra passa por restauração e digitalização e já pode ser assistida em alta resolução; o lote também inclui outras obras de Méliès e de Thomas Edison identificadas pelos especialistas.

Um filme mudo de 1897, considerado perdido há mais de um século, foi redescoberto nos Estados Unidos e é visto como o primeiro registro de um robô no cinema. O curto francês Gugusse e o Autômato, de Georges Méliès, tem cerca de 45 segundos de duração e foi encontrado em um baú em Michigan, entre rolos de filmes antigos.

O achado chegou ao conhecimento público quando Bill McFarland, professor aposentado, levou o material à Biblioteca do Congresso dos EUA. Especialistas identificaram a peça como produção de Méliès, conhecido por Viagem à Lua, e pela assinatura visual da Star Film Company.

O filme mostra um autômato com aparência de palhaço, posicionado sobre um pedestal, interagindo com um mágico. Ao girar a manivela, o autômato cresce de tamanho e ataca o criador, que revida esmagando a figura com um martelo, fazendo o autômato encolher até desaparecer.

A descoberta é considerada histórica porque antecede em cerca de duas décadas o uso do termo robô, criado apenas em 1920 na peça R.U.R. de Karel Čapek. Especialistas avaliam que o curta representa o primeiro retrato cinematográfico de uma máquina com ações autônomas.

George Willeman, chefe do acervo de filmes de nitrato da Biblioteca do Congresso, afirmou que a caixa de filme parecia especial desde o primeiro contato. A cópia encontrada estava entre rolos deteriorados e parcialmente esfarelados, o que exigiu cuidadosa avaliação técnica.

Entre as peças resgatadas, a equipe identificou ainda fragmentos de outra obra de Méliès, A Luta entre o Gordo e o Magro, e de Thomas Edison, O Estábulo em Chamas. A presença de uma estrela no pedestal ajudou a confirmar a autoria pelo logotipo da Star Film Company.

Os especialistas destacam que muitos filmes da época eram feitos em nitrato, material inflamável com alta propensão à deterioração. Hoje, o acervo passou por restauração e digitalização para disponibilizar o curta em alta definição.

O restauro completo permitirá que o público acesse Gugusse e o Autômato pela primeira vez em formato digital, preservando o legado de Méliès. A obra mergulha na história das técnicas de ilusionismo, suspensão de disbelief e efeitos visuais que moldaram o cinema.

O material recuperado será incorporado ao acervo da Biblioteca do Congresso, com registro técnico detalhado sobre a condição original e as etapas de restauração. A iniciativa reforça o papel do arquivismo na preservação de filmes raros.

Especialistas ressaltam a importância do achado para entender as origens da ficção científica no cinema e a evolução da imagética robótica. A restauração contínua busca ampliar a compreensão histórica sobre a trajetória do meio audiovisual.

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