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Cinema brasileiro faz idosos reviverem, afirma jornal francês

Le Monde destaca o protagonismo de idosos no cinema brasileiro e aponta envelhecimento rápido da população, com impactos em políticas e mercado

Rodrigo Santoro e Denise Weinberg em cena do longa "O Último Azul", de Gabriel Mascaro.
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  • O jornal francês Le Monde traz uma crônica sobre o cinema brasileiro que valoriza artistas com mais de 75 anos, destacando a mobilização do público idoso.
  • A matéria cita a aposentada Tânia Maria, de 79 anos, que atuou em O Agente Secreto e ganhou notoriedade nacional, incluindo presença em campanhas e mídia internacional.
  • Além dela, a reportagem destaca outros títulos brasileiros com protagonistas mais velhos, como Velhos Bandidos, com Fernanda Montenegro, e O Último Azul, com Denise Weinberg.
  • A entrevista com uma atriz de 70 anos reforça a ideia de que o cinema vem percebendo o valor de incluir pessoas idosas, com público que se identifica com esse grupo.
  • O texto também aborda o envelhecimento demográfico brasileiro, apontando aumento de 57% no número de pessoas com mais de 65 anos entre 2010 e 2022 (10,9% da população) e desafios de infraestrutura, como 6.200 casas de proteção e renda média de pouco mais de R$ 3 mil.

O jornal francês Le Monde destaca, em uma crônica da repórter Anne-Dominique Correa, o impacto de atores com mais de 75 anos no cinema brasileiro. O texto afirma que esses personagens ganham destaque nas telonas e mobilizam plateias, em meio ao envelhecimento da população.

Segundo a reportagem, Tânia Maria, costureira aposentada de 79 anos do Rio Grande do Norte, é citada como a nova estrela do Brasil. Ela ficou conhecida por interpretar Dona Sebastiana no filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho.

Ainda conforme o texto, Tânia Maria figura em campanhas publicitárias, na imprensa e chegou a ganhar uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, reforçando a visibilidade de artistas idosos no país.

O artigo ressalta que não é uma exceção, citando também Fernanda Montenegro no filme Velhos Bandidos, de Cláudio Torres, e Denise Weinberg em O Último Azul, de Gabriel Mascaro, como parte dessa tendência.

Em entrevista, a atriz de 70 anos, que vive Tereza no longa vencedor do Urso de Prata na Berlinale de 2025, aponta que o cinema não hesita em buscar atores mais velhos, pois há audiência identificada com esse público.

Envelhecimento demográfico

A matéria cita dados do IBGE sobre o envelhecimento rápido da população brasileira. Entre 2010 e 2022, o número de pessoas com mais de 65 anos subiu 57%, chegando a 10,9% da população.

Caso mantenha o ritmo, a população idosa pode superar a de crianças em 2031 e dobrar em 25 anos, segundo o jornal, o que seria mais acelerado que na França.

A reportagem aponta deficiências estruturais para cuidar desse contingente no Brasil. A instituição registra cerca de 6.200 casas de repouso, atendendo pouco mais de 160 mil idosos com mais de 60 anos.

Além disso, a renda média mensal dessa parcela é pouco acima de R$ 3 mil, o que agrava a capacidade de suprir necessidades básicas sem políticas públicas adequadas.

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